A Uber vendeu todas as suas ações da Serve Robotics, a empresa de robôs de entrega que criou há cinco anos.
A Serve só tomou conhecimento da venda quando o documento regulatório se tornou público.
A Uber revelou a venda em um documento na semana passada. O documento mostra que a venda ocorreu entre 1º de abril e 30 de junho de 2026.
No final de março, a Uber ainda possuía mais de 2 milhões de ações da Serve, avaliadas em US$ 17,5 milhões, segundo informações, mas agora não possui nenhuma.
A decisão não foi repentina. A Uber vinha reduzindo sua participação desde o início de 2025. Seu último relatório mostra que a Uber comprou ações da Rivian e da Lucid durante o mesmo período e investiu mais em projetos de robotáxis. A Uber divulgou uma participação de 15,2% em maio de 2024, antes da venda.
Uma fonte revelou que a Serve só soube da venda final quando ela foi oficialmente anunciada.
A perda do capital próprio provavelmente foi menos importante do que a perda do fluxo de pedidos do Uber Eats, que a Serve nunca controlou.
Durante a teleconferência de resultados da Serve em 6 de agosto, o cofundador e CEO Ali Kashani afirmou que o volume de entregas pelo Uber havia aumentado por 17 trimestres consecutivos desde o início de 2022, mas caiu pela primeira vez no segundo trimestre de 2026.
Ele afirmou que isso se deveu ao uso de robôs abaixo do esperado. Kashani também disse que as duas empresas têm "visões diferentes" sobre a gestão de uma frota autônoma compartilhada, sendo a coordenação da frota e a integração com os comerciantes os principais problemas.
Kashani afirmou que a Serve não planeja renovar seu contrato com a Uber quando este terminar no início de 2027. Enquanto isso, as entregas por meio de outra empresa parceira de entrega de comida cresceram quase 50% em um trimestre.
Quando a Uber reduziu o número de pedidos, o impacto foi imediato. A Serve reduziu sua previsão de receita para o ano inteiro para entre US$ 9 milhões e US$ 10 milhões, ante os US$ 26 milhões previstos anteriormente. Essa é uma grande mudança em relação a agosto de 2025, quando o diretor financeiro Brian Read disse aos investidores que a empresa esperava uma receita anual entre US$ 60 milhões e US$ 80 milhões assim que sua frota de 2.000 robôs estivesse totalmente operacional.
A Serve aumentou sua frota, mas a utilização não acompanhou o crescimento. Em Los Angeles, Miami e Chicago, cerca de 1.200 robôs ficaram ociosos em um dia comum no segundo trimestre, embora a Serve tenha relatado mais de 2.000 robôs em operação.
Segundo relatos, o número de robôs ativos diariamente caiu de 812 para 792.
No segundo trimestre, a Serve reportou receita de US$ 3,2 milhões, um aumento de 404% em relação ao ano anterior, mas também um prejuízo líquido GAAP de US$ 64,1 milhões. As ações fecharam a US$ 5,68 e caíram para cerca de US$ 5,06 após o fechamento do mercado. A Guggenheim reduziu seu preço-alvo de US$ 13 para US$ 7, mas manteve a recomendação de compra.
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