A Mirae Asset obtém aprovação da Coreia para adquirir a Korbit, em uma transação inédita entre TradFi e criptomoedas

Fonte Cryptopolitan

Em 9 de julho, a Comissão de Comércio Justo da Coreia do Sul (KFTC) aprovou a aquisição, pela Mirae Asset Consulting, de 92,06% da corretora de criptomoedas Korbit. Esta é a primeira vez que uma subsidiária de uma importante instituição financeira coreana recebe autorização para comprar uma corretora de ativos digitais licenciada.

Para o resto do mundo, que observa atentamente como as finanças convencionais estão se voltando para as criptomoedas, essa decisão representa um verdadeiro teste para a aceitação dessa fusão.

Órgãos reguladores nos EUA, Europa e Ásia passaram anos analisando como bancos e empresas de gestão de ativos poderiam operar bolsas de valores. A Coreia do Sul demonstrou uma abordagem para utilizar criptomoedas sem precisar romper as barreiras entre o setor financeiro e as criptomoedas.

A Mirae Asset Consulting está pagando 133,4 bilhões de won pela aquisição (equivalente a US$ 97,9 milhões, com base na taxa de câmbio do Banco da Coreia em 9 de julho). A empresa adquiriu 26,9 milhões de ações da Korbit, conforme declarado no documento regulatório.

Por que o órgão regulador disse sim?

A KFTC fundamentou seu pedido de aprovação no fato de a Korbit ser uma participante minoritária no mercado. A comissão informou que a Korbit é a quarta das cinco corretoras licenciadas no país que operam com a tecnologia de negociação em won. A plataforma registrou um volume de negociação anual de apenas 0,5%. Além disso, é amplamente conhecido que a Upbit detém 69% do volume de negociação; a Bithumb, cerca de 28%; a Coinone, aproximadamente 2%; e a Gopax, perto de 0,1%, conforme relatado pela Bloomingbit.

Assim, a Comissão decidiu que o acordo não causará efeitos prejudiciais ao mercado. A Comissão explicou que estudou dois riscos: se é possível criar uma plataforma de ações e criptomoedas que dificulte o acesso dos concorrentes ao mercado de valores mobiliários e se é realista criar um fundo negociado em bolsa (ETF) de criptomoedas que pressione os rivais na gestão de ativos. O regulador concluiu que esses riscos só poderiam ocorrer caso a Korbit enjuma liquidez muito maior.

“Para que preocupações como a exclusão de empresas concorrentes nos mercados de valores mobiliários e gestão de ativos se materializem, a Korbit precisa ter liquidez suficiente”, disse um funcionário da comissão, segundo o Chosunbiz, acrescentando que “no nível atual, ela é insuficiente para causar efeitos anticoncorrenciais”.

Uma solução alternativa, não uma reescrita

Na Coreia, existe uma regulamentação que proíbe bancos, seguradoras e corretoras de valores mobiliários regulamentadas de participarem de transações com criptomoedas, abordagem que a Mirae Asset adotou na execução desta transação.

A compradora é uma empresa chamada Mirae Asset Consulting, uma organização que não pertence ao setor financeiro e cuja receita provém da operação de hotéis, nem de quaisquer outras atividades relacionadas a títulos de investimento ou outras atividades financeiras conduzidas pelo grupo.

A estrutura é importante para qualquer pessoa que veja o negócio como umdent. A Mirae Asset não conseguiu a aprovação de sua subsidiária financeira para deter a exchange, mas contratou uma empresa não financeira para manter o ativo, garantindo assim a preservação do princípio da separação entre ativos e passivos. Essa diferença foi destacada pela KFTC ao classificar este precedentedent o primeiro caso em que uma subsidiária de uma entidade financeira adquire uma exchange de ativos digitais.

Segundo um relatório da Ledger Insights, os vendedores são a NXC, holding da desenvolvedora de jogos Nexon, e a SK Square. Enquanto isso, a Bitstamp, pertencente à Robinhood, parece manter os outros 8% da Korbit. Essa participação está alinhada ao objetivo do Mirae Asset Group de construir infraestrutura de carteiras e ativos digitais fora da Coreia.

O que isso sinaliza para o mercado em geral

A aquisição se encaixa em uma estratégia que a Mirae Asset denominou "Mirae Asset 3.0", um plano anunciado este ano por seu braço de valores mobiliários para integrar ativos digitais a um negócio financeiro tradicional. A propriedade da infraestrutura da exchange fornece à empresa uma base licenciada a partir da qual ela pode explorar o mundo dos títulos tokenizados e ETFs de criptomoedas.

A KFTC defio resultado como um estímulo, e não uma ameaça, para o setor. "Esperamos que a concorrência no mercado de ativos digitais seja revigorada por meio de uma reformulação do mercado de finanças digitais e da inovação em serviços", afirmou, segundo o DigitalToday.

Só o tempo dirá se a reestruturação do mercado permanecerá restrita à Coreia. O processo de consolidação já começou, visto que a Coinone está atualmente buscando um comprador, de acordo com um relatório da CoinMarketCap. Uma corretora licenciada, agora localizada entre um dos maiores conglomerados bancários da Coreia do Sul, serve como um novo indicador para instituições financeiras internacionais que ainda estão avaliando como investir em criptomoedas por meios legais.

 

 

 

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