A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão regulador de derivativos, está revogando uma regra de 30 anos que impedia as partes envolvidas em acordos de se defenderem publicamente. De acordo com o anúncio feito pela agência na quarta-feira, a regra de 1998 será abolida imediatamente após sua publicação no Diário Oficial Federal (Federal Register).
As críticas anteriores dos conservadores centravam-se na alegação de que a regra prejudicava a liberdade de expressão, uma visão que a CFTC parece partilhar. Ao explicar a sua posição, a agência afirmou que "a regra infringe diretamente os direitos da Primeira Emenda dos americanos e serve para ocultar do povo americano as operações de fiscalização da agência".
Os defensores da revogação argumentam que a política anterior obscurecia a linha divisória entre responsabilidade legal e controle de reputação, impedindo, na prática, que as partes envolvidas em acordos apresentassem sua própria versão dos fatos. Além disso, os críticos das cláusulas de confidencialidade argumentam há tempos que elas criavam um desequilíbrio nos acordos de execução, em que os réus pagavam multas, mas também eram impedidos de defender publicamente sua reputação.
A revogação da disposição harmoniza a prática da CFTC com a maioria federal, aumentando a flexibilidade de fiscalização para preservar recursos administrativos, estabelecer segurança jurídica e acelerar a restituição às vítimas.
O diretor da Divisão de Fiscalização, David Miller, observou: "A ação de hoje harmoniza a abordagem de acordo da Comissão com as adotadas por outras agências e garante resoluções mais justas em questões de fiscalização."
O presidente da CFTC, Michael S. Selig, também comentou: "Fico satisfeito por estarmos revogando a política de não-negação, em consonância com as normas regulatórias de todo o governo."
A política da CFTC não havia enfrentado oposição formal até 2019, quando a New Civil Liberties Alliance, uma organização jurídica sem fins lucrativos, solicitou seu fim. O grupo alegou que a regra restringe a expressão da verdade e não serve ao bem público. Alegou ainda que a CFTC não tinha base legal para emitir a regra da mordaça.
Mais recentemente, o grupo afirmou que a comissão havia arquivado sua petição por meses, mantendo inúmeras vítimas silenciadas durante esse período. O grupo esperava que a agência oferecesse algum tipo de reparação às pessoas afetadas.
No entanto, a CFTC anunciou na quarta-feira que não aplicará as cláusulas de não-negação já incluídas em acordos existentes e afirmou que não tomará nenhuma medida caso as partes as violem.
Em maio, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) encerrou sua regra de censura. Na ocasião, o presidente da agência, Paul Atkins, declarou: "Discursos críticos ao governo são uma parte importante da tradição americana", acrescentando que a mudança permitiria que réus em acordos judiciais criticassem publicamente a agência.
Odentda American Securities Association, Chris Iacovella, aplaudiu a mudança, argumentando que a antiga política da SEC havia prejudicado a liberdade de expressão ao desencorajar os réus de se manifestarem após um acordo.
Por mais de cinco décadas, a regra proibiu que réus em acordos negassem alegações que optaram por não admitir. Segundo relatos, a regra foi instituída para desencorajar qualquer percepção de que as alegações da agência fossem infundadas.
No entanto, Ben Schiffrin, do grupo de defesa financeira Better Markets, criticou a SEC por implementar a mudança na regra sem consulta pública. "A SEC deveria querer que o público não tivesse dúvidas de que suas sanções são baseadas em violações das leis de valores mobiliários", disse ele em um comunicado.
Antes da revogação, a agência resistia a alterações nas políticas. Em 2024, a Comissária Hester Peirce afirmou que a regra era uma exceção entre os órgãos reguladores e que as negativas públicas não causavam problemas reais. Em 2017, James Valvo, Conselheiro e Consultor Sênior de Políticas do Cause of Action Institute, escreveu um artigo abordando preocupações sobre as regras de censura da SEC e da CFTC. Na época, ele defendeu a intervenção judicial nas políticas, embora nenhuma medida significativa tenha sido tomada.
Em seu último comunicado sobre a mudança na regra, a SEC afirmou que não pretende revisar ações de fiscalização anteriores caso os réus violem as cláusulas originais de não-negação, mesmo após a rescisão.
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