A guerra entre Trump e o Irã eliminou mais de 500 milhões de barris do fornecimento global e reduziu o valor do petróleo bruto em mais de 50 bilhões de dólares em cerca de sete semanas. A interrupção começou no final de fevereiro e não diminuiu. Analistas e dados da Reuters afirmam que o impacto se estenderá por meses e até anos, enquanto as cadeias de suprimentos lutam para se recuperar.
Este não é um dano pequeno. É o maior choque de oferta de energia da história moderna, com base em dados da Kpler. Os barris desaparecidos incluem petróleo bruto e condensado que nunca chegaram ao mercado, e essa lacuna já está afetando os preços, o armazenamento e os fluxos comerciais em todo o sistema.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou na sexta-feira que o Estreito de Ormuz está aberto após um acordo de cessar-fogo relacionado ao Líbano. Ao mesmo tempo, Trump disse que um acordo para encerrar a guerra poderia ser alcançado em breve, mas não especificou um prazo, deixando os mercados em suspense e os investidores apreensivos.
A dimensão da perda é extrema. Quinhentos milhões de barris equivalem a dez semanas da demanda global de aviação, onze dias sem tráfego rodoviário em todo o mundo ou cinco dias em que toda a economia global fica sem fornecimento de petróleo. Iain Mowat, da Wood Mackenzie, afirmou isso diretamente, relacionando os números ao consumo real.
Estimativas da Reuters mostram que o mesmo volume cobre quase um mês da demanda dos Estados Unidos e mais de um mês da demanda da Europa. Também equivale a cerca de seis anos de combustível usado pelas forças armadas americanas, considerando cerca de 80 milhões de barris por ano, e pode abastecer o transporte marítimo global por quatro meses consecutivos.
Os mercados de previsão agora estimam em 44% a probabilidade de o petróleo americano ultrapassar os 100 dólares por barril este mês, caso o Irã feche novamente o Estreito de Ormuz. Os investidores estão acompanhando de perto esse ponto estratégico, pois ele controla uma parcela significativa do fluxo global.
Trump abordou a situação no sábado e disse que o Irã tentou pressionar os Estados Unidos ameaçando fechar o estreito novamente. Ele rejeitou essa abordagem e afirmou que as negociações continuarão sem ceder. Falando do Salão Oval, ele disse: "O Irã tentou ser esperto... eles queriam fechar o estreito novamente... eles não podem nos chantagear."
Os dados tracde navios mostram cinco embarcações de GNL (Gás Natural Liquefeito) partindo de Ras Laffan, no Catar, em direção ao Estreito de Ormuz. Os navios são Al Ghashamiya, Lebrethah, Fuwairit, Rasheeda e Disha. Os quatro primeiros são controlados pela QatarEnergy, enquanto o Disha foi fretado pelatron, da Índia.
Se esses navios conseguirem passar, será o primeiro carregamento de GNL através do estreito desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. O Irã reabriu a rota na sexta-feira, após um cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e o Líbano, e, no sábado, um comboio de petroleiros já estava atravessando o canal.
Antes do conflito, o estreito movimentava cerca de um quinto do comércio global de GNL, tornando-se uma das rotas energéticas mais importantes do planeta. O Catar ocupa a posição de segundo maior exportador de GNL, com a maior parte da carga destinada à Ásia, mas os ataques iranianos reduziram sua capacidade de exportação em 17%.
Prevê-se que os reparos retirem 12,8 milhões de toneladas métricas por ano do fornecimento durante um período de três a cinco anos, criando pressão a longo prazo nos mercados de gás. Mesmo com o estreito aberto, a recuperação não será rápida.
Os dados da Kpler mostram que os estoques globais de petróleo bruto em terra caíram cerca de 45 milhões de barris somente em abril. Desde o final de março, as interrupções no fornecimento atingiram cerca de 12 milhões de barris por dia, demonstrando a extensão do problema.
Os campos de petróleo pesado no Kuwait e no Iraque precisam de quatro a cinco meses para retornar aos níveis normais de produção, o que prolonga a escassez de oferta até o verão. Os danos às refinarias e ao complexo de GNL de Ras Laffan acarretam ainda mais atrasos, o que significa que a recuperação completa dos sistemas energéticos regionais pode levar anos.
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