As autoridades russas têm feito de tudo para impedir manifestações públicas em defesa do popular aplicativo de mensagens Telegram, que está sendo alvo de restrições.
Um relatório detalhando diversos casos desse tipo em todo o país veio à tona em meio a crescentes reclamações de interrupções, indicando que Moscou pode já ter começado a bloquear o aplicativo.
Autoridades em diversas regiões da Rússia, de Moscou à Sibéria, têm recorrido a várias desculpas para negar permissão para protestos contra a repressão ao serviço de mensagens Telegram.
Os motivos citados incluem remoção de neve, inspeção de árvores e até mesmo restrições nunca vistas desde a era da Covid, revelou a Associated Press em uma reportagem no sábado.
Os organizadores de um evento na região de Altai foram mandados de volta para casa depois que as autoridades locais disseram que suas alegações de repressão à internet "não correspondiam à realidade"
Tentativas de organizar manifestações contra a censura generalizada na internet foram realizadas por representantes de diferentes segmentos da sociedade russa.
As forças políticas por trás disso incluíam até mesmo ultranacionalistas que apoiavam a guerra na Ucrânia e comunistas que, de outra forma, apoiavam o Kremlin.
Alguns dos que participaram em atos públicos de defiou em manifestações não autorizadas foram presos, enquanto outros optaram por realizar reuniões em locais fechados para evitar problemas.
E nos casos em que os cidadãos foram finalmente autorizados a expressar seu descontentamento, como em Krasnodar, eles só podiam se reunir nos arredores da cidade.
Protestos de qualquer tipo têm sido bastante raros na Rússia desde a repressão do movimento anti-guerra em 2022 e em meio à crescente perseguição política sob leis que sufocam a dissidência, observou a AP em seu artigo.
As restrições impostas ao Telegram foram o passo mais recente para colocar a internet russa sob controle estatal, após o bloqueio de inúmeros sites e serviços de VPN.
Essa medida, no entanto, foi criticada por muitas vozes pró-governo, já que o mensageiro não é apenas popular entre as pessoas comuns, mas amplamente utilizado por funcionários, agências estatais e até mesmo pelos militares.
Moscou vem acusando o Telegram de não cumprir seus regulamentos, particularmente no que diz respeito à remoção de conteúdo proibido na Rússia.
A agência reguladora de telecomunicações e mídia do país, Roskomnadzor (RKN), começou a reduzir a velocidade do tráfego no aplicativo de mensagens no mês passado, quando também restringiu o acesso ao WhatsApp.
O aplicativo Meta era a plataforma de mensagens mais popular na Rússia antes de o Telegram ultrapassá- lo em janeiro, atingindo quase 96 milhões de usuários ativos.
As autoridades russas têm insistido para que os usuários migrem para uma alternativa aprovada pelo governo, chamada MAX. Críticos, incluindo o fundador do Telegram, Pavel Durov , afirmam que se trata de uma ferramenta de vigilância e censura política.
Em meados de fevereiro, o canal Baza no Telegram afirmou que a RKN planejava começar a bloquear o Telegram em 1º de abril. O órgão regulador não confirmou nem negou as informações que citavam a publicação.
Entretanto, o crescente número de interrupções em toda a Rússia na última semana indica que as tentativas de restringir completamente o acesso ao aplicativo de mensagens podem ter começado antes do esperado.
Segundo dados do Observatório Aberto de Interferência em Redes ( OONI ), citados pelo site de notícias independente russo Meduza, com sede em Riga dent os problemas com o serviço de mensagens aumentaram drasticamente desde sexta-feira.
Naquele dia, foram registradas anomalias em 72% dos testes realizados, enquanto o aplicativo de mensagens estava acessível em menos de um terço dos casos (28%), conforme revelado pela OONI, uma plataforma global que detecta o bloqueio de sites e aplicativos para medir a censura na internet.
Sites como Downdetector e Сбой.рф receberam milhares de reclamações de diversas regiões e cidades do vasto país, incluindo a capital Moscou e a segunda maior cidade da Rússia, São Petersburgo. Os problemas afetaram tanto a versão móvel quanto a versão para desktop do Telegram.
Uma pesquisa realizada pela Meduza entre seus leitores na Rússia mostrou que, para um total de 88% dos quase 7.500dent, o aplicativo de mensagens não estava funcionando corretamente. Para 17%, ele não funcionava de forma alguma, e 46% relataram que era lento e pouco confiável.
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