A União Europeia decidiu prorrogar por mais seis meses a suspensão das tarifas retaliatórias de € 93 bilhões (US$ 109 bilhões) contra os Estados Unidos. Essa decisão ocorre após Donald Trump, o 47ºdent dos Estados Unidos, finalmente ter desistido de seu plano de punir os países da UE que se recusaram a apoiar sua proposta de compra da Groenlândia.
Trump havia alertado anteriormente que, a partir de 1º de fevereiro, uma tarifa de 10% atingiria oito países da UE, subindo para 25% em junho, a menos que um acordo sobre a Groenlândia fosse firmado.
Mas, após se reunir com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, em Davos, Trump abandonou a ameaça e afirmou que um novo acordo havia sido alcançado. Essa mudança de última hora deu aos parlamentares da UE a cobertura política necessária para suspender a retaliação.
A Comissão Europeia, responsável pela política comercial da UE, planeia agora propor oficialmente a prorrogação da pausa, que expiraria a 7 de fevereiro.
Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia, declarou a jornalistas na sexta-feira em Bruxelas: "Alcançamos nosso objetivo por matic e políticos, o que sempre será nossa preferência, em vez de entrar em uma espiral de medidas e contramedidas". Ele acrescentou que a UE pode retomar as tarifas retaliatórias a qualquer momento, se necessário.
A retaliação proposta pela UE, já aprovada, mas ainda não implementada, teria afetado duramente importantes produtos americanos (como aviões da Boeing, carros fabricados nos EUA e bourbon) se a campanha de pressão na Groenlândia tivesse prosseguido.
Essa ameaça já havia sido apresentada durante negociações anteriores, quando Trump e adent da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinaram um acordo comercial na Escócia no ano passado. Mas a obsessão de Trump com a Groenlândia inviabilizou esse acordo novamente na semana passada.
O Parlamento Europeu havia congelado a ratificação desse acordo comercial quando Trump intensificou a questão da Groenlândia. Agora, com Trump revertendo sua posição após Davos, espera-se que o Parlamento retome o processo. Roberta Metsola,dent do Parlamento Europeu, confirmou isso antes de uma cúpula de líderes da UE na quinta-feira.
A UE também considerou usar sua arma comercial mais poderosa, o instrumento anticoerção, contra os EUA, algo que raramente sequer foi discutido. O fato de a ideia ter sido sequer cogitada demonstra o quão perto as coisas chegaram de explodir completamente.
Mesmo com a suspensão das tarifas, os líderes da UE não estão comemorando. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, disse: "Certamente não há motivo para qualquer tipo de otimismo excessivo... tarefas muito sérias ainda estão por vir e perdemos algum tempo". O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, concordou, dizendo: "Espero sinceramente que possamos agora retomar discussões sérias"
O acordo comercial entre a UE e os EUA, praticamente concluído, ainda está em suspenso. A exigência anterior de Trump de que a Dinamarca entregasse a Groenlândia (literalmente comprasse o território) causou caos. A UE, assim como os aliados da OTAN, recusaram-se, e Trump respondeu com ameaças comerciais. Foi necessária outra rodada de reuniões, desta vez com Mark Rutte, da OTAN, para que ele recuasse.
“O nosso foco agora deve ser avançar na implementação desse acordo”, disse odent do Conselho Europeu, António Costa, na quinta-feira.
O comportamento de Trump sobre essa questão não tem sido consistente. Ele mudou de posição diversas vezes. Em um dado momento, parecia que a pressão da UE finalmente estava surtindo efeito, após uma reunião discreta em Paris no início de janeiro. Mas então a manobra na Groenlândia desviou tudo do foco.
Agora que Trump recuou novamente, alguns líderes querem desviar a atenção. Tusk alertou que a situação na Ucrânia está sendo ignorada enquanto os líderes estãotracpelo que ele chamou de "turbulência desnecessária". As conversas entre o enviado de Trump, Steve Witkoff, Jared Kushner e Vladimir Putin já estavam ocorrendo em Moscou quando a cúpula da UE estava acontecendo.
“Não podemos permitir que, em meio a turbulências e emoções necessárias e desnecessárias, a Ucrânia seja relegada a um segundo plano”, disse Tusk. “Precisaremos persuadir nossos amigos americanos e todos os europeus a se concentrarem novamente no que é fundamental para a nossa segurança.”
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