TradingKey - Um ataque de drone forçou o fechamento de um oleoduto na Arábia Saudita e as negociações diplomáticas entre o Irã e as nações do Golfo foram adiadas simultaneamente, um golpe duplo que deixa os mercados globais de energia enfrentando a pressão de oferta mais severa em décadas. Impulsionados pela contração da oferta, os contratos futuros do petróleo Brent saltaram mais de 4% em determinado momento, ultrapassando US$ 109 por barril, enquanto o petróleo WTI era cotado perto de US$ 103.

Petróleo Brent, Fonte: CNBC
A Bernstein alertou que, com o agravamento simultâneo de três pressões — a interrupção do trânsito pelo Estreito de Hormuz, os transtornos no transporte marítimo pelo Mar Vermelho e o fechamento do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita —, o sistema global de oferta de petróleo está sob uma tensão sem precedentes. Analistas da casa alertaram que o petróleo Brent pode subir ainda mais, alcançando de US$ 120 a US$ 150 por barril. Enquanto isso, o Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, alertou em Viena para que não se espere um acordo com o Irã nem um avanço diplomático em relação ao Estreito de Hormuz.
Segundo relatos, o oleoduto de petróleo bruto Leste-Oeste da Arábia Saudita foi danificado em um ataque de drone na última quinta-feira e, subsequentemente, paralisado por Riad. Com capacidade diária de 7 milhões de barris, o oleoduto é um canal fundamental para manter as exportações sauditas contornando o Estreito de Hormuz. Dados da Bloomberg mostraram que o fluxo combinado de trânsito pelo Estreito de Hormuz, pelo Estreito de Bab-el-Mandeb e pelo Canal de Suez caiu para menos de 7 milhões de barris por dia, em comparação com cerca de 20 milhões de barris por dia antes do conflito.
A Reuters citou operadores afirmando que, se o oleoduto não for restaurado em tempo hábil, a Arábia Saudita esgotará seus estoques de exportação no Mar Vermelho. Os estoques no Porto de Yanbu são suficientes para apenas cinco a sete dias, e os de dois portos egípcios, para apenas alguns dias, com prazos de reparo estimados entre várias semanas e cinco ou seis semanas. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) mostraram que a oferta saudita de petróleo caiu para o menor nível em mais de 30 anos em agosto, com previsão de que a oferta global encolha cerca de 5,7 milhões de barris por dia este ano, uma queda de aproximadamente 6%.
Ao mesmo tempo, uma reunião regional originalmente agendada para o dia 14 em Salalah, no Omã, foi adiada. Este seria o primeiro encontro formal entre o Irã e os países do Golfo desde que os EUA e Israel entraram em guerra com o Irã em fevereiro deste ano. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, declarou que o adiamento ocorreu "para buscar consenso". O Ministério das Relações Exteriores do Irã rebateu dizendo que o uso da situação no Iêmen como pretexto pela Arábia Saudita era um desvio das "causas fundamentais da crise". A proposta original previa conceder ao Irã autoridade sobre a passagem de embarcações.