A Europa detém US$ 12,6 trilhões em ativos dos EUA, mas a maior parte é de propriedade privada e não pode ser usada como arma

Autor: Cryptopolitan
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Mitrade Team
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Fonte: DepositPhotos

A Europa possui uma quantidade absurdamente gigantesca de US$ 12,6 trilhões em ativos americanos, mais do que o resto do mundo junto... duas vezes. Títulos, ações, tudo o que você imaginar.

Parece uma verdadeira vantagem, não é? Bem... não é. Porque, quando se trata de guerras comerciais, deter tanto capital americano não significa que você possa realmente fazer alguma coisa com ele.

A discussão recomeçou depois que Donald Trump reabriu a polêmica sobre a Groenlândia, desafiando a Europa sobre a soberania do território.

Juntamente com isso, vieram as esperadas ameaças de tarifas, provavelmente vazias. Como era de se esperar, os líderes europeus começaram a se posicionar. Emmanuel Macron e Kaja Kallas estão furiosos.

Estrategistas explicam por que uma liquidação total de ativos na Europa não funcionará

Alguns investidores estão comentando sobre a possibilidade da Europa se desfazer de títulos do Tesouro americano e ações. A lógica é simples. Os Estados Unidos têm defienorme e dependem muito de capital externo. Se a Europa, seu maior credor, decidisse reduzir seus investimentos, os custos de empréstimo nos EUA poderiam disparar e os preços das ações poderiam despencar.

Mas mesmo aqueles que defendem essa teoria admitem que não é tão simples assim. A maior parte desses US$ 12,6 trilhões não está nas mãos do governo. Está em carteiras privadas e fundos de investimento. Como disse George Saravelos, do Deutsche Bank: “A Europa é dona da Groenlândia. E também possui muitos títulos do Tesouro americano”. Mas até ele sabe que isso prejudicaria a Europa mais do que a ajudaria.

Saravelos estima que US$ 8 trilhões desses ativos sejam detidos diretamente por investidores europeus. O restante circula por meio de custodiantes e veículos sediados na região, mas pode ser propriedade de investidores externos. De qualquer forma, os governos não podem simplesmente obrigar os detentores privados a vender. E mesmo que pudessem, seria um suicídio econômico.

Os mercados já demonstraram nervosismo. Após a última rodada de tarifas de Trump, os futuros das ações americanas caíram. As ações europeias não se saíram muito melhor. O dólar recuou. Enquanto isso, ativos considerados seguros, como ouro, euro e franco suíço, subiram. Exatamente como aconteceu em abril do ano passado, quando Trump implementou as tarifas do "Dia da Libertação" e a política comercial "Venda os Produtos Americanos" foi iniciada.

UE avalia tarifas e congelamento de acordos comerciais como opções imediatas

Até agora, a resposta mais realista da Europa tem sido adiar o acordo comercial de julho com Washington. Fala-se também em retaliar com tarifas de € 93 bilhões (cerca de US$ 108 bilhões) sobre produtos americanos. Autoridades alemãs estão pressionando por medidas maistron. Mas mesmo elas sabem que o dumping de ativos cruzaria uma linha perigosa.

A instrumentalização de participações levaria o impasse para os mercados financeiros. Não seria mais uma simples disputa comercial de retaliações. Seria uma guerra de capitais. Saravelos novamente: “Em um ambiente onde a estabilidade geoeconômica da aliança ocidental está sendo existencialmente abalada, não fica claro por que os europeus estariam dispostos a desempenhar esse papel.”

O fundo soberano da Noruega é o maior detentor público (com cerca de US$ 2,1 trilhões), mas isso ainda é pouco comparado a todo o capital privado investido em ativos americanos na Europa. Quer saber algo realmente curioso? Alguns desses ativos nem são europeus, afinal de contas.

Ninguém consegue absorver os territórios da Europa, nem mesmo a Ásia

E aqui vai outra piada: mesmo que a Europa quisesse vender, quem compraria? Quer dizer, todo vendedor precisa de um comprador, não é?

Atualmente, a capitalização de mercado total do índice MSCI All-Country Asian é de cerca de US$ 13,5 trilhões, e a parte asiática do índice FTSE World Government Bond vale US$ 7,3 trilhões, de acordo com dados da Bloomberg.

Assim, os ativos europeus quase engolem todo o universo de investimentos da Ásia. A matemática não fecha.

É uma fantasia pensar que a Europa trocaria ações da Nvidia por títulos japoneses da noite para o dia. E o setor de investimentos dos EUA? Claro, eles são grandes. Talvez assumissem parte do ônus se o preço fosse certo. Mas os EUA têm uma posição líquida negativa de investimento internacional de US$ 27 trilhões. O "preço certo" aqui pode significar simplesmente que o dólar passe a valer muito menos.

Os analistas do Rabobank acertaram em cheio: os mercados dos EUA são simplesmente profundos demais, amplos demais e líquidos demais. "Embora o grande defiem conta corrente dos EUA sugira que, em teoria, haja potencial para a queda do dólar caso os poupadores internacionais realizem uma retirada em massa de ativos americanos, a imensidão dos mercados de capitais dos EUA indica que tal saída pode não ser viável, dadas as limitações de mercados alternativos."

Há também a lógica da Guerra Fria. Pense em destruição mútua assegurada. A China já ouviu essa ladainha antes. Sempre que a situação fica tensa, alguém sugere que Pequim se desfaça de seus títulos do Tesouro. Jinping nunca o faz. Por quê? Porque isso destruiria o próprio sistema. Paul Getty resumiu bem a questão: “Se você deve US$ 100 ao banco, você tem um problema. Se você deve US$ 100 milhões ao banco, o problema é do banco.”

A política cambial fraca da China (que expliquei detalhadamente aqui ) significa que o país precisa acumular dólares. Com o tempo, uma parcela maior dessas reservas acabou em mãos privadas para ocultar o total. O analista Brad Setser estimou que as "reservas paralelas" da China giravam em torno de US$ 3 trilhões em 2023.

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