O ouro recua enquanto postura dura do Fed e incertezas com o Irã sustentam o dólar americano
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Fonte: DepositPhotos
- O ouro recebe pressão vendedora nesta quinta-feira diante do sentimento altista predominante para o dólar.
- As Atas hawkish do FOMC reforçam apostas em alta de juros e sustentam o dólar em meio às incertezas geopolíticas.
- No entanto, as quedas estão sendo amenizadas por sinais contraditórios sobre um possível acordo de paz entre EUA e Irã.
O ouro (XAU/USD) não consegue aproveitar a leve alta da sessão asiática desta quinta-feira e, por enquanto, interrompeu sua recuperação iniciada próximo ao nível de US$ 4.450, mínima desde 30 de março. As Atas hawkish do FOMC divulgadas na quarta-feira confirmaram as apostas do mercado em alta de juros até o fim deste ano, mantendo o dólar americano próximo à máxima de seis semanas e funcionando como obstáculo para o metal precioso que não gera rendimentos. Porém, as quedas estão sendo amenizadas, pois os investidores mostram cautela e aguardam novos desdobramentos da crise no Oriente Médio, diante de sinais contraditórios sobre um possível acordo de paz entre EUA e Irã.
As atas da reunião do Fed realizada nos dias 28 e 29 de abril revelaram que a maioria dos dirigentes entende que o endurecimento monetário se tornará necessário caso a inflação permaneça consistentemente acima da meta de 2%. Os membros concordaram amplamente que os riscos inflacionários estão inclinados para cima e reconheceram que o conflito no Oriente Médio pode alterar significativamente o cenário de riscos e dificultar a definição da trajetória de política monetária. Conforme a ferramenta FedWatch do CME Group, os traders estimam mais de 50% de chance de o banco central norte-americano elevar os juros em 25 pontos-base em 2026.
Essa perspectiva mais dura ajuda a conter a correção de queda do dólar registrada na noite anterior, motivada por renovadas esperanças de desescalada do conflito iraniano. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que os Estados Unidos estão na “fase final” das negociações com o Irã. Além disso, o vice-presidente JD Vance adotou tom otimista e declarou que o Irã deseja fechar um acordo. Essas declarações elevaram a confiança dos investidores, enfraquecendo o dólar e dando certo suporte ao ouro. Contudo, o otimismo segue limitado pelo alerta de Trump sobre novas ações militares caso o Irã não aceite um acordo pacífico.
O Irã criticou as ameaças de Trump e alertou contra novos ataques dos EUA e de Israel, afirmando que qualquer medida desse tipo pode provocar uma grande escalada bélica. Além disso, os investidores permanecem céticos quanto ao acordo diplomático, diante de grandes divergências sobre o programa nuclear iraniano e o impasse envolvendo o estratégico Estreito de Ormuz. O Irã inclusive criou um novo órgão para controlar o tráfego na via marítima. Esses fatores mantêm os riscos geopolíticos ativos, limitando quedas do dólar e impedindo altas expressivas no preço do ouro, exigindo cautela dos compradores.
Gráfico de 4 horas do XAU/USD
Os traders de ouro mantêm postura indecisa diante de cenário técnico misto
Do ponto de vista técnico, o par XAU/USD segue com leve viés baixista dentro de um canal paralelo descendente, permanecendo bem abaixo da linha superior em torno de US$ 4.682,12. O Índice de Força Relativa (RSI 14), em 46,60, se recuperou da zona de sobrevenda, mas ainda indica momentum neutro a fraco. Por outro lado, a leve melhora positiva no MACD aponta apenas para correção de alta, e não para o fim da tendência de baixa.
No lado da alta, a resistência inicial está no nível anterior do canal em US$ 4.632,58, enquanto maior pressão vendedora surge na linha superior do canal próxima a US$ 4.682,12, nível que deve limitar avanços caso não seja rompido com firmeza. No lado da queda, o foco imediato está na marca psicológica de US$ 4.500, que funciona como suporte tático mais próximo. Uma quebra sustentada abaixo desse nível abrirá caminho até a linha inferior do canal em US$ 4.380,81, região onde compradores podem tentar formar uma base de suporte mais consistente.
(Análise técnica elaborada com auxílio de ferramenta de inteligência artificial.)
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