O ministro do Orçamento, David Amiel, afirmou na terça-feira que a França utilizará fornecedores de IA "soberanos", como a Mistral, e não a OpenAI, para testar os sistemas governamentais em busca de vulnerabilidades de segurança.
O anúncio foi feito dias depois de uma violação de segurança na agência tributária nacional ter exposto dados de cerca de 700 mil contribuintes.
Após uma reunião de gabinete em Paris, Amiel disse a jornalistas que o Estado recorreria ao que chamou de empresas soberanas de IA, "como a Mistral", para realizar o trabalho. "Isso exclui a OpenAI", afirmou.
Amiel havia confirmado o plano mais cedo naquele dia. O governo usaria ferramentas de IA paradentas vulnerabilidades de seus próprios serviços a ataques cibernéticos. O catalisador foi a violação de dados da Receita Federal, divulgada na quinta-feira anterior. O Ministério das Finanças francês afirmou que os dados de cerca de 700 mil contribuintes haviam sido roubados.
A Mistral, startup parisiense apoiada pela ASML, fornecedora de equipamentos para fabricação de chips, tornou-se a empresa de referência para a França quando o país deseja demonstrar sua capacidade de operar sistemas críticos sem depender de tecnologia americana.
Em junho, Amiel apresentou um plano governamental chamado “Notre IA”, ou “Nossa IA”, para distribuir ferramentas soberanas entre os serviços públicos. A agência digital estatal DINUM desenvolveu sua principal ferramenta, um assistente chamado “L'Assistant”, baseado no modelo da Mistral e hospedado em datacenters certificados pela SecNumCloud. A ferramenta estava sendo implementada para cerca de um milhão de funcionários estaduais.
A chefe da administração tributária francesa, Amélie Verdier, afirmou nesta segunda-feira que suas equipes descobriram uma segunda violação de dados. Ela disse que a intrusão ainda está sendo avaliada.
No início deste mês, Cryptopolitan noticiou a primeira violação de segurança na Direção-Geral das Finanças Públicas (DGFiP). Um invasor utilizou uma VPN interna comprometida para acessar uma ferramenta de busca de contribuintes usando uma identidade roubadadentinformou a DGFiP.
O acesso foi tracaté o final de junho de 2026 e foi bloqueado até o final do mês. Nessa altura, o invasor já tinha visualizado e extraído os registos.
Os dados incluem nomes, informações de nascimento, endereços postais e de e-mail, números de telefone, números dedentfiscal, taxas de retenção na fonte e correspondência com autoridades, disse a DGFiP.
A agência afirmou que nomes de usuário e senhas não estavam entre os dados expostos. A CNIL, autoridade francesa de proteção de dados, foi notificada, e a DGFiP (Direção Geral de Proteção de Dados da França) informou que apresentará uma queixa-crime.
A França foi atingida por uma onda de ataques violentos contra proprietários de criptomoedas em 2026, Cryptopolitan segundo reportagem. Em abril, o fundador do Telegram, Pavel Durov, afirmou no canal X que o país registrou 41 sequestros de detentores de criptomoedas nos primeiros três meses e meio do ano. Ele atribuiu o fenômeno ao vazamento de dados pessoais, incluindo registros mantidos pelas autoridades fiscais.
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