A Moody's Ratings afirmou em um relatório de pesquisa divulgado esta semana que a corrida para construir infraestrutura de IA está drenando o fluxo cash livre e aumentando o risco do balanço patrimonial em seis grandes empresas de tecnologia, segundo a CNBC.
“A transição de modelos com poucos ativos para modelos com muitos ativos exige níveis de investimento semdent”, escreveu a agência em nota divulgada na quarta-feira, afirmando que essa mudança ameaça a qualidade de crédito da Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta, Oracle e CoreWeave.
A Moody's projeta investimentos de capital combinados de US$ 785 bilhões em 2026, subindo para cerca de US$ 1 trilhão no ano seguinte. A dívida direta entre as seis empresas atingiu aproximadamente US$ 460 bilhões. Horas depois da divulgação do relatório, a Alphabet fez uma demonstração ao vivo do mecanismo.
A Alphabet divulgou seus resultados do segundo trimestre após o fechamento do mercado em 22 de julho, mostrando um aumento de 24% na receita, para US$ 119,8 bilhões, e um aumento de 82% na receita do Google Cloud, para US$ 24,8 bilhões, conforme a transcrição da teleconferência de resultados. O lucro operacional atingiu US$ 40,8 bilhões, com uma margem de 34%.
Os investimentos de capital de US$ 44,9 bilhões superaram o fluxo cash operacional de US$ 39,1 bilhões, resultando em um fluxo cash livre negativo de US$ 5,9 bilhões, o primeiro trimestre negativo desde a abertura de capital da Alphabet em 2004. A diretora financeira, Anat Ashkenazi, elevou a projeção de investimentos de capital para o ano todo para uma faixa entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões, ante US$ 180 bilhões a US$ 190 bilhões no trimestre anterior, e sinalizou um aumento significativo adicional em 2027.
As ações caíram mais de 4% após o fechamento do mercado e as recompras de ações foram suspensas. Há duas reservas. A Alphabet ainda apresenta fluxo cash livre positivo nos últimos 12 meses, em torno de US$ 53 bilhões, e ainda possui aproximadamente US$ 240 bilhões em cash e títulos negociáveis.
Segundo a Moody's, Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta possuem alguns dos balanços patrimoniaistronsólidos entre todas as empresas do mundo, o que sugere que um rebaixamento imediato de suas classificações é altamente improvável. A pressão recai sobre as duas empresas com classificação mais baixa.
A Oracle possui classificação Baa2 com perspectiva negativa, dois níveis acima do grau especulativo. A CoreWeave opera em um segmento de alto rendimento, com classificação Ba3, e financia seus servidores com GPUs da Nvidia utilizando modelos de dívida complexos. Segundo relatório da Cryptopolitan, a obrigação de desempenho não cumprida da Oracle foi registrada em US$ 523 bilhões, quase nove vezes mais que sua receita anual.
Ambas as empresas agora também enfrentam o problema de fornecimento da Alphabet. A Alphabet afirmou que expandirá o uso de capacidade de terceiros no terceiro trimestre como uma solução provisória enquanto desenvolve sua infraestrutura internamente, citando a CoreWeave e a Nebius entre os fornecedores. As ações de ambas as empresas subiram entre 4% e 5% após o anúncio.
Segundo a Moody's, o montante total comprometido em termos de arrendamentos para as seis empresas foi estimado em 1,2 biliões de dólares, com 820 mil milhões de dólares destinados à construção de centros de dados, que a agência considera como passivos semelhantes a dívidas.
Conforme Cryptopolitan relatado anteriormente, analistas da Moody's, incluindo David Gonzales e Alastair Drake, calcularam o valor dos contratos de arrendamento não iniciados em US$ 662 bilhões em fevereiro. Esse valor subiu aproximadamente 24% em cinco meses, e o total fora do balanço patrimonial agora representa quase o dobro da dívida direta combinada do grupo.
Outra análise realizada pela Nikkei relatou que cinco dessas empresas haviam comprometido US$ 1,65 trilhão em investimentos relacionados à IA que não foram registrados como dívidas de acordo com as normas contábeis vigentes.
Segundo o Banco de Compensações Internacionais, parte do financiamento envolvido na implementação da IA parece ser um empréstimo paralelo.
Os provedores de hiperescala apontam para grandes carteiras detraccomo prova de que a demanda étron. Mas parte dessa demanda vem de laboratórios de IA pré-IPO, como a OpenAI e a Anthropic, que também receberam grandes investimentos das mesmas gigantes da tecnologia que lhes vendem capacidade em nuvem.
A Moody's descreveu isso como um ecossistema circular de IA. O problema é que os maiores players do setor estão cada vez mais interligados pelos mesmos clientes, acordos de financiamento e expectativas em relação à demanda futura por IA.
A carteira de pedidos da divisão de nuvem da Alphabet era de US$ 514 bilhões, um aumento de mais de US$ 50 bilhões em relação ao trimestre anterior. A empresa também está alugando chips da Nvidia da SpaceX por cerca de US$ 920 milhões por mês para atender à demanda.
Segundo a Moody's, "Os investidores irão questionar cada vez mais se os gastos geram retornos suficientes."
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