A Atoms, empresa de robótica de Travis Kalanick, concluiu na quarta-feira uma rodada de financiamento de US$ 1,7 bilhão. A empresa contou com o apoio da Andreessen Horowitz.
O cheque é um dos maiores já emitidos em um boom de financiamento de IA física que já atraiu capital recorde em 2026.
A Andreessen Horowitz é a principal investidora, e seu sócio-gerente, Ben Horowitz, terá um assento no conselho. Do lado do capital próprio, os novos investidores incluem Bain Capital, Fifth Wall, Chemistry, A*, K5 Global,trac, SV Angel e Alpha Square Group.
A rodada de investimentos contou com a participação da Uber, empresa cofundada por Kalanick. Já se passaram cerca de dez anos desde que o conselho da empresa o destituiu do cargo de CEO em 2017. A saída ocorreu após denúncias de assédio sexual, discriminação e problemas na cultura do ambiente de trabalho.
Mas Kalanick viu o acordo como uma reconciliação, não apenas com a Uber. Ele escreveu no X que uma colaboração com Marc Andreessen e Ben Horowitz quase aconteceu em 2011. "Em 2017, a Uber sofreu as consequências de não ter Marc no conselho – quem sabe, sabe", escreveu ele.
Os parceiros de dívida, incluindo cinco bancos, estão listados separadamente da rodada de investimento em capital próprio. Os bancos são Bank of America, Goldman Sachs, Wells Fargo, JP Morgan e Barclays. O valor de qualquer empréstimo não foi divulgado.
A Atoms é uma holding. Kalanick a consolidou em cima de dois negócios que construiu após deixar o Uber. Um deles é a CloudKitchens, sua operação de cozinhas fantasmas. O outro é a Pronto, uma empresa de automação industrial pesada, que ele comprou em março de 2026 de seu ex-colega do Uber, Anthony Levandowski.
A empresa resultante será dividida em três divisões: Atoms Food, Atoms Mining e Atoms Transport. As empresas têm como foco a produção de alimentos, a mineração e o transporte pesado.
Em sua postagem, Kalanick disse que a Atoms é uma OEM que fabrica "computadores baseados em átomos". Ele afirmou que o dinheiro era "combustível para completar o arco narrativo de bits para átomos que começamos na Uber, continuamos na CloudKitchens e agora terminaremos na Atoms".
Horowitz foi mais direto. "Travis está de volta", escreveu. Máquinas construídas para um propósito específico, e não humanoides, eram mais adequadas para a indústria pesada, explicou. "As especializadas são muito mais adequadas para a maioria desses trabalhos", escreveu. E apresentou a vantagem como aumento de produtividade.
“Repetir o que a Uber fez pelo transporte, ou o que os computadores fizeram pelo mundo digital: tornar tudo e todos mais produtivos”, disse ele. Segundo ele, esse é o melhor uso da IA e da robótica.
O investimento em robôs que funcionam no mundo real está a todo vapor. O financiamento global em robótica atingiu US$ 55,8 bilhões até o início de junho de 2026, segundo dados da Dealroom. Isso representa quase o dobro do recorde anual anterior.
Um dia antes da Atoms abrir seu capital, a startup britânica Humanoid levantou US$ 152 milhões, atingindo uma avaliação de US$ 1,35 bilhão, segundo a Reuters. Em 16 de julho, a Grid Dynamics anunciou uma parceria com a Doosan Robotics para o desenvolvimento de inteligência artificial física. O acordo aponta para uma mudança no setor, da fase de captação de recursos para a de implementação.
Os modelos de IA também demonstram esse ritmo. Cryptopolitan noticiou que a Mistral lançou o Robostral Navigate em 8 de julho. O sistema, com 8 bilhões de parâmetros, controla um robô usando uma única câmera e instruções em linguagem natural. Em simulação, o sistema alcançou uma pontuação de 76,6% no benchmark inédito R2R-CE.
A publicação de Kalanick no X delineou uma visão. A Atoms não divulgou uma avaliação pós-investimento. Não divulgou nenhum valor referente à dívida. Não forneceu quaisquer números de traccomercial para os setores de Alimentos, Mineração ou Transporte.
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