O governo japonês quer legalizar os ETFs de criptomoedas e reclassificar os ativos digitais como produtos financeiros sob uma nova legislação financeira. A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, fez o anúncio na quinta-feira.
Espera-se que o novo plano abra o acesso regulamentado a criptomoedas para clientes comuns de corretoras japonesas.
Katayama acredita que o Japão precisa de umatronestrutura legal e umtronimpulsionar a confiança dos investidores. Ela fez esses comentários no seminário Open Quick 2026 em Tóquio, um evento organizado pela provedora de dados financeiros QUICK. Ela também afirmou que o Japão deseja permitir ETFs de criptomoedas, assim como muitos outros países já fizeram.
A chave para a mudança na política é uma emenda à legislação que rege ações e títulos, à Lei de Instrumentos Financeiros e Câmbio (FIEA), a lei que regulamenta ações e títulos.
Atualmente, o Japão trata as criptomoedas como meio de pagamento e as regulamenta pela Lei de Serviços de Pagamento. Alterar a classificação das criptomoedas de "meio de pagamento" para "produto financeiro" as colocaria sob a mesma estrutura regulatória dos títulos negociados em bolsa.
Assim que o processo de alteração for concluído, as corretoras poderão começar a oferecer ETFs de criptomoedas, e muitas empresas já estão se mobilizando em antecipação ao novo marco legal.
Empresas como a BI Securities e a Rakuten Securities estão preparadas para começar a vender ETFs de criptomoedas. Enquanto isso, empresas como a Nomura Asset Management, a SBI Global Asset Management, a Daiwa Asset Management e subsidiárias ligadas à Mitsubishi UFJ já estavam estudando ou desenvolvendo produtos de ETFs de criptomoedas antes mesmo de qualquer aprovação.
Os investidores japoneses também receberiam bem esse acesso. Um ETF listado em uma bolsa de valores nacional significa que eles podem manter exposição a criptomoedas dentro de contas de valores mobiliários comuns, sem precisar passar pelos trâmites adicionais de gerenciar contas separadas em corretoras ou chaves privadas.
A questão tributária pode ser mais importante do que a estrutura do fundo. No Japão, os lucros da negociação de criptomoedas são tributados como rendimento diverso, com taxas progressivas que chegam a 55%.
A revisão substituiria essa taxa por uma alíquota fixa separada de 20%, equiparando-se à forma como os ganhos com ações e fundos de investimento são tributados. A atual alíquota de imposto levou investidores e comerciantes a migrarem para países com alíquotas mais baixas, e esse corte de impostos visa trazer de volta muitos daqueles que fugiram.
A lei ainda não foi aprovada. A emenda já foi aprovada pela Câmara dos Representantes e está em análise na Câmara dos Conselheiros. Após a aprovação, espera-se que a estrutura geral entre em vigor em 2027, com a alíquota de imposto de 20% sendo aplicada a partir de 1º de janeiro de 2028.
A iniciativa conta com apoio além do ministério. Em 1º de junho, o Partido Liberal Democrático, no poder, apresentou uma proposta a Katayama, defendendo um arcabouço legal para a negociação de ETFs de criptomoedas. O mesmo comitê do partido afirmou que o Estado deveria promover stablecoins lastreadas em ienes.
Em abril, o gabinete japonês aprovou a proposta de emenda para classificar as criptomoedas como um produto financeiro.
Além de abrir os mercados, o governo está empenhado em proteger os investidores. Uma unidade focada em criptoativos e stablecoins será criada este mês pela Agência de Serviços Financeiros.
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