A Suprema Procuradoria Popular da China (SPP) divulgou um caso transfronteiriço de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro no qual um réudentcomo Li Moubo foi condenado à morte após converter mais de 48 milhões de yuans (cerca de US$ 7,04 milhões) provenientes do tráfico de drogas em moedas virtuais.
O caso demonstra a determinação de Pequim em aplicar as penas criminais mais severas contra qualquer crime financeiro facilitado por criptomoedas, um sinal bastante preocupante para qualquer operador ou negociador que lide com fluxos de ativos digitais ligados à China.
O vice-procurador-geral Miao Shengming apresentou seus argumentos durante uma coletiva de imprensa sobre o combate ao narcotráfico, realizada em 25 de junho. A Procuradoria de Chongqing conduziu o caso sob a supervisão direta da Suprema Procuradoria Popular, o mais alto órgão de acusação da China.
Segundo relatos, Li foi acusado de crimes que incluíam contrabando, tráfico e transporte transnacional de drogas, além de lavagem de dinheiro. Li recebeu uma sentença de morte após ser condenado por múltiplos crimes.
As procuradorias da China acusaram mais de 1.200 pessoas de lavagem de dinheiro relacionada ao tráfico de drogas entre janeiro de 2025 e maio de 2026, citando Miao Shengming. O Ministério Público afirmou que essas acusações fazem parte de uma investigação mais ampla sobre "lavagem de dinheiro própria" e "lavagem de dinheiro por terceiros", bem como sobre a recuperação de ativos criminosos ligados ao tráfico de drogas.
O sistema judicial penal chinês tem natureza inquisitorial. Ou seja, a procuradoria apresenta as provas, e os elementos apresentados no julgamento determinam o veredicto. Além disso, assim como no procedimento para casos criminais graves envolvendo delitos relacionados a drogas, o caso contra Li seguiu o trâmite padrão (investigação, acusação sob a supervisão do Ministério Público e sentença proferida por um Tribunal Popular em Chongqing).
No comunicado do SPP sobre Li, não foi feita menção se algum argumento foi apresentado em sua defesa ou se houve algum recurso contra a condenação, nem foi sugerido que um tribunal popular discordasse da decisão tomada por eles, seja sob sua própria autoridade ou sob o sistema de justiça criminal da China.
O sistema de justiça criminal da China tem uma taxa de condenação superior a 99%, e os casos de pena capital envolvendo tráfico de drogas historicamente atraem pouca atenção pública em relação à posição da defesa. Nenhuma informação na coletiva de imprensa do SPP ou na reportagem da Xinhua indicou se o advogado de Li contestou as acusações ou a severidade da sentença.
Nos últimos anos, a aplicação das leis e regulamentações sobre criptomoedas na República Popular da China tem refletido um padrão mais amplo de aplicação da lei no país. Isso não é surpreendente, visto que, em 2021, o Banco Popular da China proibiu a negociação e a mineração de criptomoedas no país. A intenção da SPP ao enfatizar o uso de criptomoedas por Li em seu comunicado à imprensa foi claramente deixar claro que as moedas virtuais não são meramente acessórias ao crime, mas sim parte integrante da atividade criminosa.
A proliferação contínua de atividades ilícitas com criptomoedas se expande globalmente. De acordo com o Relatório de Crimes com Criptomoedas de 2026 da TRM Labs, o volume total de transferências ilícitas de criptomoedas em 2025 atingiu US$ 158 bilhões, dos quais mais de US$ 100 bilhões foram provenientes de operações de custódia e lavagem de dinheiro em língua chinesa. O relatório indica que essas redes de custódia e lavagem de dinheiro em operam principalmente como uma forma de infraestrutura para os mercados globais ilícitos, e não como operações dirigidas pelo Estado.
A abordagem da China em relação aos crimes ligados a criptomoedas contrasta com a das jurisdições ocidentais tanto em rapidez quanto em severidade. Em fevereiro de 2026, o Departamento de Justiça dos EUA condenou Daren Li, cidadão com dupla nacionalidade chinesa e de São Cristóvão e Névis, a 20 anos de prisão por seu envolvimento na lavagem de US$ 73 milhões por meio de um esquema de investimento em criptomoedas. Esse caso envolvia fraude, e não narcóticos, mas ilustra como ambos os governos estão intensificando as penalidades para a lavagem de dinheiro facilitada por criptomoedas, com a China indo além ao aplicar a pena de morte.
Para corretoras, mesas de operações de balcão e equipes de compliance que lidam com fluxos com qualquer ligação à China, o caso Li Moubo é um lembrete concreto de que Pequim trata a lavagem de criptomoedas como um crime capital, e não apenas uma violação regulatória. Os 1.200 processos anunciados juntamente com o caso sugerem uma campanhamatic de fiscalização, e não um exemplo isolado.
Operadores e prestadores de serviços que atuam em jurisdições que interagem com fluxos de criptomoedas chinesas devem esperar pressão contínua. A ênfase pública do SPP na recuperação de ativos relacionados ao tráfico de drogas indica que a apreensão e o confisco de bens acompanharão esses processos.
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