A decisão proferida pelo Tribunal Superior de Délhi na sexta-feira confirmou a medida tomada pelo governo indiano de bloquear temporariamente o serviço Telegram. A decisão rejeita todas as alegações apresentadas pelo aplicativo Telegram e aprova a ação do governo indiano de bloquear toda a plataforma Telegram, de acordo com o Artigo 69A da Lei de Tecnologia da Informação (TI). Essa decisão tem implicações mais amplas para a Índia do que apenas a questão do Telegram.
A proibição afeta os cerca de 150 milhões de usuários do Telegram na Índia, seu maior mercado nacional. Poucas horas após a implementação, houve uma mudança drástica no comportamento dos usuários. Os dados sugerem um aumento de 49% nos downloads de redes virtuais privadas (VPNs), além de uma rápida migração para outros serviços de mensagens.
Essa proibição foi consequência das alegações de que havia canais no Telegram vazando a prova do Exame Nacional de Elegibilidade e Admissão da Índia (NEET), um exame médico muito importante que atrai mais de 2,3 milhões dedent.
O pedido partiu da Agência Nacional de Testes da Índia devido ao vazamento do conteúdo da prova pelo Telegram, e o governo indiano bloqueou o site por um período de sete dias, de 16 a 22 de junho, com uma nova prova realizada em 21 de junho.
A Seção 69A da Lei de Tecnologia da Informação permite a restrição de acesso a qualquer tipo de informação se isso for do interesse da soberania, segurança e ordem pública. Isso levanta a questão da proporcionalidade de restringir o acesso a todo o site em vez de canais específicos.
O juiz Tejas Karia sustenta que, considerando a natureza emergencial da situação, as razões apresentadas pelo governo foram suficientes e o procedimento previsto na Seção 69A da Lei de Tecnologia da Informação foi devidamente seguido. O Tribunal afirma que as ordens de bloqueio e revisão são “bem fundamentadas e…
— ANI (@ANI) 19 de junho de 2026
O juiz Tejas Karia, do Tribunal Superior de Delhi, opinou que, dada a natureza emergencial do caso, a justificativa do governo era suficiente e o procedimento conforme a Seção 69A da Lei de Tecnologia da Informação foi seguido corretamente. Ele afirmou que as ordens de bloqueio e revisão eram bem fundamentadas e racionais, e não apresentavam qualquer falta de discernimento por parte das autoridades, mesmo tendo rejeitado o pedido do Telegram de que a empresa estaria fora do escopo de "informação" segundo a Lei.
O raciocínio acima é semelhante aodent estabelecido no caso Shreya Singhal, em que o Supremo Tribunal considerou a Secção 69A constitucional, desde que as suas disposições fossem salvaguardadas por razões registadas por escrito, aplicação de fundamentos específicos ao abrigo do Artigo 19(2) e um mecanismo de revisão da ordem de bloqueio de uma forma sujeita a escrutínio judicial.
O Telegram recorreu da decisão apresentando uma petição abrangente, destacando que impor restrições em toda a plataforma é uma punição para usuários que agem dentro da lei devido às ações de alguns poucos. De acordo com os documentos judiciais, o Telegram argumentou que restringir o uso da infraestrutura digital pode corroer os direitos constitucionais relativos à liberdade de expressão e ao acesso à informação.
No entanto, a Índia argumentou que a plataforma do Telegram apresentava desafios de aplicação da lei. Autoridades governamentais destacaram a facilidade com que canais bloqueados podiam ser restaurados,dentdos recursos de anonimato e identidade, o que dificultava a implementação das medidas.
O fundador do Telegram, Pavel Durov, condenou a restrição, explicando que, quando se bane conteúdo prejudicial de uma plataforma, ele não desaparece; em vez disso, apenas migra para outra plataforma. A empresa acrescentou que removeu mais de 900 links relacionados a material de fraude em exames.
O Procurador-Geral da Índia, Tushar Mehta, explicou que havia uma ligação lógica entre as medidas temporárias e a prevenção de fraudes durante o período de reteste.
A decisão de impor a proibição resultou em rápida adesão em toda a infraestrutura digital da Índia. Segundo a Reuters, o bloqueio foi implementado pelas operadoras de telecomunicações, juntamente com a Apple e o Google, removendo o acesso ao Telegram e restringindo a disponibilidade da rede.
Logo em seguida, ocorreu o deslocamento de usuários. A necessidade de serviços de VPN aumentou drasticamente. De acordo com o TechCrunch, o Proton VPN registrou um aumento de 120% nos cadastros na Índia em relação ao período anterior, chegando a um pico de 150%, e o Windscribe dobrou o número de assinaturas nesse mesmo período.
A competição entre os serviços de mensagens se intensificou. Os downloads do Signal dispararam 72% no iOS e 322% no Android, enquanto Vibeteve um aumento de 216% nos downloads na App Store da Apple, segundo dados da Appfigures utilizados pelo TechCrunch. O aplicativo complementar do Telegram, o iMe, apresentou o maior salto em popularidade, passando de 827 downloads diários para 50.900.
Essa é uma tendência comum após a implementação de tal proibição. A necessidade de comunicação não desaparece – ela apenas se desloca para outros aplicativos e ferramentas de privacidade. Nesse caso, a proibição também aumentou a dependência da infraestrutura de VPN, demonstrando a capacidade de adaptação dos usuários aos controles de acesso.
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