O governo da Venezuela emitiu um boletim de emergência afirmando que a demanda por eletricidade atingiu 15.579 megawatts (o nível mais alto em 9 anos).
Segundo o comunicado oficial do governo, as autoridades ativaram um plano de supervisão para descobrir a mineração ilegal de criptomoedas e punir severamente os infratores.
da OPEP relatório estatístico anual afirma que a Venezuela detém aproximadamente um quinto das reservas mundiais de petróleo bruto (cerca de 303 bilhões de barris). O país também possui a Barragem de Guri, uma enorme usina hidrelétrica e a segunda maior do mundo, que em tempos passados forneceu 80% da energia elétrica do país.
Segundo pesquisa do Projeto Borgen, o governo cobrava preços extremamente baixos de eletricidade, de modo que os venezuelanos pagavam apenas cerca de 20% do custo real de geração de energia.
Como resultado, a empresa estatal de energia elétrica Corpoelec teve dificuldades para manter a rede adequadamente com os recursos limitados, ou mesmo para investir em novas infraestruturas, o que acabou levando ao colapso das linhas de transmissão.
Além disso, a imigração em massa que enviou mais de 7 milhões de venezuelanos para o exterior desde 2015 incluiu os engenheiros qualificados que antes gerenciavam tudo dentro da fábrica. Isso fez com que a lacuna de mão de obra qualificada aumentasse drasticamente.
Como previsto, a barragem de Guri rompeu e, em 7 de março de 2019, todo o país ficou às escuras. O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais publicou um relatório sobre o incidentedent seus efeitos, afirmando que a maioria das cidades ficou sem energia por mais de 90 horas, o que colocou em risco a vida de muitas pessoas, especialmente pacientes em estado crítico em hospitais.
Na época, o regime de Maduro culpou os líderes da oposição e os EUA pela falha de energia, acusando-os de "usar ataques cibernéticos e eletromagnéticos". Mas reportagens investigativas mostraram o contrário, atribuindo a culpa a anos de negligência, corrupção e má gestão.
Como a Venezuela subsidiava sua rede elétrica e oferecia tarifas de eletricidade próximas de zero, o país se tornou um refúgio seguro para a mineração Bitcoin . Os computadores de BTC funcionam 24 horas por dia, 7 dias por semana, e consomem quantidades enormes de eletricidade; portanto, a energia barata significava lucros ainda maiores para os mineradores.
Os cidadãos comuns também se voltaram para a mineração porque ela lhes permitia ganhar dólares em um país onde a moeda local havia se tornado praticamente sem valor devido à hiperinflação. De fato, uma plataforma de mineração em operação na Venezuela podia render mais em um mês do que a maioria dos trabalhadores ganhava em um ano de trabalho árduo.
Portanto, as medidas repressivas vêm ocorrendo há anos e não são uma declaração recente. Por exemplo, os órgãos reguladores realizaram uma operação anticorrupção e apreenderam cerca de 2.000 máquinas de mineração em Maracay, forçando o Ministério da Energia Elétrica a desconectar todas as fazendas de mineração de criptomoedas da rede nacional em maio de 2024.
“O objetivo é desconectar todas as fazendas de mineração de criptomoedas do Sistema Elétrico Nacional (SEN) do país, evitando um impacto significativo na demanda, o que nos permite continuar oferecendo um serviço eficiente e confiável a todos os venezuelanos”, afirmou o Ministério do Poder Popular para a Educação (MPPPE) em sua conta no Instagram.
O governador do estado de Carabobo, Rafael Lacava, chegou a pedir aos cidadãos que denunciassem qualquer pessoa que estivesse minerando criptomoedas, dizendo: “Se você vir uma casa que sabe que está minerando criptomoedas, diga para essa pessoa desligar a atividade, ou simplesmente denuncie. Porque eles estão consumindo energia da rede elétrica para ganhar dinheiro. E ficaremos sem energia elétrica se eles não pararem.”
Segundo comunicado oficial do governo venezuelano, a demanda por eletricidade atingiu 15.579 megawatts, atribuída à onda de calor e ao “crescimento econômico que mantém seu ritmo”
O governo também afirmou estar trabalhando em um plano de supervisão e mobilizando equipes técnicas para estabilizar a rede elétrica, além de enfatizar, de forma discreta, a proibição da mineração digital.
“Mantém-se a proibição absoluta da mineração digital em território nacional. Aqueles que utilizarem essa atividade ilegalmente serão punidos conforme previsto em lei.” — Comunicado do Governo Venezuelano, 7 de maio de 2026
Como era de se esperar, o governo dedicou grande parte da declaração a culpar as sanções internacionais pelas falhas na rede elétrica e a anunciar um plano de longo prazo que pretende divulgar aos setores privado, industrial, acadêmico e científico. A proibição da mineração de criptomoedas surgiu quase no final, como uma reflexão tardia, sugerindo que não era o foco principal.
Segundo reportagem do Eva Daily sobre a situação da rede elétrica venezuelana, fornecedores internacionais de equipamentos exigem que o governo forneça garantias de pagamento antecipado para reparos na rede, mas isso pode não ser possível. A má gestão de recursos, as sanções, o colapso da receita do petróleo e o custo de estabelecer uma estrutura política autoritária devastaram as finanças do país, limitando severamente a capacidade do governo.
Agora, como o governo não consegue efetuar os pagamentos, a rede elétrica continua a deteriorar-se, uma vez que os fornecedores se recusam a conceder crédito para as peças. De acordo com o relato abrangente da Wikipédia sobre os apagões na Venezuela em 2024, o governo Maduro manteve-se em silêncio sobre a situação do sistema elétrico durante quase 14 anos.
Os engenheiros talentosos que mantinham a Barragem de Guri e o sistema de transmissão de energia em pleno funcionamento deixaram o país em um grande êxodo, e como é praticamente impossível operar um sistema hidrelétrico e de transmissão complexo sem eles, proibir a mineração de criptomoedas não ajudará muito.
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