O Irã está precificando a passagem pelo Estreito de Ormuz, com um novo sistema de pedágio que cobra dos petroleiros cerca de US$ 1 por barril e exige pagamento em yuan ou stablecoins.
O primeiro passo ocorreu quando o Comitê de Segurança Nacional do Irã aprovou um projeto de lei para cobrar taxas dos navios que utilizam a rota, informou a agência Fars, citando um membro do comitê.
A partir daí, um sistema muito mais completo começou a surgir, com documentação de transporte, verificações militares, negociações de pagamento, códigos de rádio e escoltas navais, tudo integrado ao processo.
Diversas pessoas com conhecimento direto do acordo afirmaram que os operadores de navios devem começar por lidar com uma empresa intermediária ligada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Essa empresa coleta os detalhes de propriedade da embarcação, bandeira, manifesto de carga, destino, lista de tripulantes e dados AIS.
Em seguida, o arquivo é enviado ao Comando Provincial de Hormozgan da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), onde a embarcação é inspecionada para verificar qualquer ligação com Israel, os EUA ou outros países que o Irã classifica como hostis.
Se um navio passar na inspeção, as negociações sobre as taxas começam. Fontes familiarizadas com o acordo disseram que o Irã usa um sistema de classificação que pontua os países de um a cinco. Os países considerados mais amigáveis têm maior probabilidade de obter melhores condições. Para petroleiros, o valor inicial nessas negociações geralmente gira em torno de US$ 1 por barril de petróleo. O pagamento não deve ser feito em dólares. Os termos iniciais preveem liquidação em yuan chinês ou stablecoins.
O processo não termina com o pagamento. Assim que o pedágio é acordado e pago, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) fornece à embarcação um código de autorização e uma rota específica a seguir. O navio deve então navegar sob a bandeira do país que garantiu o acordo de trânsito.
Em alguns casos, a embarcação também poderá ter que alterar seu registro oficial para o daquele país. Ao se aproximar do Estreito de Ormuz, espera-se que o navio transmita seu código de acesso por rádio de alta frequência. Uma lancha de patrulha então o encontrará e o escoltará pela hidrovia, mantendo-se próximo à costa e passando entre as ilhas ao longo da rota.
Um caso recente envolvendo o Paquistão mostra como isso funciona na prática. O Irã concordou em permitir a passagem de 20 navios paquistaneses pelo estreito. O problema era que o Paquistão tinha apenas um pequeno número de navios com bandeira paquistanesa no Golfo.
Isso levou Islamabad a contatar algumas das maiores empresas de comércio de commodities do mundo e perguntar se elas possuíam embarcações que pudessem passar pelo Estreito de Ormuz navegando temporariamente sob a bandeira paquistanesa.
A geografia também importa. Os países geralmente controlam 12 milhas náuticas a partir de suas costas, o que equivale a cerca de 14 milhas ou 22 quilômetros. Dentro dessa zona, eles geralmente têm permissão para inspecionar embarcações.
Isso confere peso legal e operacional a um sistema construído em torno da passagem costeira, regras de bandeira, escoltas de patrulha e rotas controladas.
Ao mesmo tempo, o Irã e Omã estão trabalhando em um protocolo conjunto para "monitorar o trânsito" pelo Estreito de Ormuz, informou a agência de notícias IRNA na manhã de quinta-feira, citando uma fonte oficial.
Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, afirmou que o tráfego de petroleiros pela rota “deve ser supervisionado e coordenado” entre os dois países. Kazem também disse:
“É claro que esses requisitos não significarão restrições, mas sim facilitar e garantir a passagem segura e fornecer melhores serviços aos navios que transitam por essa rota.”
Essa atualização impactou o mercado rapidamente. Os índices de ações dos EUA estavam em forte queda na manhã de quinta-feira, depois que odent Donald Trump sinalizou que a guerra com o Irã poderia continuar por semanas.
Após a reportagem da IRNA sobre as negociações com Omã, esses índices subiram. O petróleo também reagiu. Os preços haviam disparado durante a noite, mas recuaram das máximas do dia depois que a notícia sobre Omã aumentou a esperança de que o Estreito de Ormuz pudesse ser reaberto de alguma forma sem intervenção militar.
Ainda assim, o mercado de petróleo permaneceu sob forte pressão. A S&P Global informou que o preço à vista do petróleo Brent para cargas físicas saltou para US$ 141,36 na quinta-feira, o nível mais alto desde a crise financeira de 2008.
Esse preço à vista cobre as entregas de Brent programadas para os próximos 10 a 30 dias. A forte alta nesses barris de curto prazo mostra o quão restrita se tornou a oferta física após a interrupção causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.
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