A China afirmou no domingo que ainda deseja uma reunião de líderes com os Estados Unidos, mesmo tendo condenado abertamente a guerra no Irã e pressionado novamente por um cessar-fogo.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse a repórteres em Pequim que estão sendo feitos preparativos para um encontro planejado entre odent Xi Jinping e o presidente americano Donald Trump.
Wang também afirmou que a China não deseja que a relação com Washington se transforme em confusão ou confronto.
Ele alertou que, se os dois lados virarem as costas um para o outro, irão interpretar mal as ações um do outro e tomar decisões erradas. Ele disse que um conflito aberto entre os dois países arrastaria o mundo inteiro para o fundo do poço
No outono passado, Xi Jinping e Donald Trump se encontraram pessoalmente na Coreia do Sul e ambos sinalizaram planos de visitar os respectivos países.
Trump tem uma visita agendada à China de 31 de março a 2 de abril. Se a viagem se concretizar, será a primeira visita de umdent dos EUA em exercício à China desde 2017. Pequim ainda não confirmou as datas exatas.
Wang não deu novos detalhes sobre a agenda, mas disse que o contato de alto nível entre Xi e Donald proporcionou "uma importante salvaguarda estratégica" para que a relação China-EUA melhore e avance.
Alguns analistas questionaram se a viagem acontecerá no prazo previsto. A dúvida surge porque a visita planejada ocorreria logo após os ataques conjuntos entre EUA e Israel ao Irã, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, e após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA.
Wang não mencionou nenhum dos dois homens pelo nome na manhã de domingo, mas reiterou o apelo da China por um cessar-fogo na guerra com o Irã. Ele disse: "Esta é uma guerra que não deveria ter acontecido". Ele também afirmou : "É uma guerra que não beneficia ninguém".
Wang afirmou que a China ainda vê valor em manter contato com os Estados Unidos, mesmo quando os dois lados discordam em questões importantes. Seus comentários mostraram Pequim tentando manter a diplomacia ativa em meio à turbulência na região.
Desde o início dos ataques conjuntos entre EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, Wang conversou por telefone com pelo menos sete ministros de Relações Exteriores. Essas conversas incluíram ministros da Rússia, do Irã e de Israel, de acordo com comunicados oficiais chineses.
Wang discursou à margem da reunião parlamentar anual da China, que dura oito dias e termina nesta quinta-feira. O evento trouxe a Pequim importantes líderes, incluindo Xi Jinping, o primeiro-ministro Li Qiang e o vice-primeiro-ministro He Lifeng, além de delegados de todo o país.
Esse contexto conferiu maior peso aos comentários de Wang, pois foram feitos durante uma das semanas políticas mais importantes do calendário chinês.
Ele também contestou a ideia de Donald Trump de um novo mundo "G2" liderado pelos Estados Unidos e pela China. Wang rejeitou a noção de que apenas dois países deveriam governar os assuntos globais. Em vez disso, defendeu um mundo mais multipolar, afirmando: "Isso não é diferente de usar gravetos para apagar um incêndio". E acrescentou: "Você só vai se queimar"
A diplomacia está ocorrendo em paralelo às negociações comerciais. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e He Lifeng devem se encontrar em Paris no final desta semana.
A Bloomberg afirma que os dois representantes devem discutir acordos comerciais que Xi e Donald poderiam aprovar caso a cúpula aconteça conforme o planejado.
Essas negociações ocorrem após a China e os Estados Unidos terem chegado a uma frágil trégua tarifária em outubro. Segundo o acordo, as tarifas sobre os produtos de cada país foram reduzidas para menos de 50% por um ano. Antes disso, ambos os lados haviam elevado as tarifas para bem mais de 100% durante o auge das tensões na primavera passada.
Ao mesmo tempo, a guerra no Irã já está afetando os mercados globais. O preço do petróleo bruto subiu para US$ 100 por barril no domingo, depois que os principais produtores do Oriente Médio reduziram a produção devido ao fechamento do Estreito de Ormuz.
O petróleo bruto West Texas Intermediate subiu 11,73%, para US$ 101,56 por barril. O petróleo Brent teve alta de 9,84%, para US$ 101,81. O petróleo bruto dos EUA já havia subido cerca de 35% na semana passada, o maior salto semanal na história do mercado futuro, que remonta a 1983.
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