Bitcoin atinge máxima de 2026 com tensões na Venezuela e rali em Wall Street
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O bitcoin iniciou a primeira segunda-feira de 2026 com uma performance vigorosa, atingindo novas máximas anuais durante a abertura dos mercados em Nova York. A principal criptomoeda do mundo tocou o patamar de US$ 94.752 no terminal da Bitstamp, consolidando um rali que acompanha a valorização generalizada de ativos escassos.
Fonte: CoinMarketCap
Este movimento ocorre em um cenário de intensa agitação geopolítica, marcado pela operação militar dos Estados Unidos na Venezuela. A instabilidade regional tem recompensado detentores de ativos reais, levando a Kobeissi Letter a afirmar no X que, neste cenário, os "donos de ativos continuam vencendo".
Enquanto o S&P 500 e o Nasdaq avançavam cerca de 1% nas primeiras horas de negociação, o ouro spot saltava mais de 2,5%, atingindo US$ 4.455 por onça.
Rompimento de níveis técnicos e a visão de analistas
Do ponto de vista técnico, o bitcoin superou barreiras críticas, como a média móvel exponencial (EMA) de 50 dias e o nível de abertura anual de 2025, situado em US$ 93.500. Para o trader Max Rager, é encorajador ver o ativo demonstrando força ao retestar patamares que foram fundamentais ao longo do último ano.
Fonte: Max Rager
Rager destaca que um fechamento e manutenção acima da marca de US$ 94 mil seriam o gatilho necessário para uma nova investida em direção aos US$ 100 mil. A estrutura atual do gráfico de 12 horas mostra uma recuperação no ímpeto de alta, sugerindo que o viés de baixa que marcou o final de 2025 pode estar sendo dissipado.
Michaël van de Poppe, analista e fundador da MN Capital, reforça essa perspectiva ao classificar o nível atual como o "obstáculo final" antes da barreira psicológica de seis dígitos.

Fonte: Michaël van de Poppe
Embora não espere um rompimento linear imediato, Van de Poppe projeta que esse movimento deve se materializar ao longo da próxima semana.
O paradoxo da liquidez e o alerta de Willy Woo
Apesar da força nominal dos preços, analistas veteranos como Willy Woo demonstram preocupação com a profundidade do mercado. Woo aponta para a liquidez reduzida nos livros de ordens e observa que, embora o mempool e as taxas de transação indiquem um fundo local de liquidez, o volume real ainda é motivo de cautela.

Fonte: Willy Woo
Willy Woo sugere que poderemos ver um impulso de alta em janeiro motivado por fatores sazonais, mas alerta que a sustentabilidade depende de um engajamento maior da rede. Sem uma base sólida de transações on-chain, o movimento de preço corre o risco de ser apenas uma volatilidade passageira em um mercado sem profundidade.
A plataforma de análise Glassnode corrobora essa visão ao relatar os volumes de negociação à vista (spot) mais baixos desde o final de 2023.
Strategy amplia exposição e reforça reservas de caixa no início de 2026
Já a Strategy, maior detentora corporativa do ativo no mundo, iniciou o ano reafirmando sua tese de acumulação agressiva. A companhia anunciou a aquisição de 1.283 bitcoins por aproximadamente US$ 116 milhões, elevando seu patrimônio total para 673.783 unidades da criptomoeda.
Arquivamento da Strategy na SEC. Fonte: Strategy.
A operação foi realizada a um preço médio de US$ 90.000 por unidade, utilizando recursos obtidos através da venda de suas próprias ações no mercado de capitais norte-americano. Com este novo aporte, o valor de mercado das posses da companhia alcança a marca de US$ 62,6 bilhões, mantendo um custo médio de aquisição total de US$ 75.026 por bitcoin.
Michael Saylor, cofundador e presidente executivo da Strategy, informou que a empresa também elevou sua reserva de dólares em US$ 62 milhões, atingindo um total de US$ 2,25 bilhões. Esse caixa é considerado estratégico para garantir o pagamento de dividendos e honrar os juros de dívidas existentes, oferecendo fôlego operacional diante da volatilidade do mercado.
O fortalecimento das reservas de liquidez ocorre após a empresa captar US$ 747,8 milhões líquidos através de ofertas de ações ordinárias em dezembro. Essa estrutura de capital permite que a Strategy continue sua estratégia de compras recorrentes, independentemente das oscilações de curto prazo que marcaram o encerramento do ano anterior.
Impacto financeiro e resultados do quarto trimestre
Apesar da nova investida compradora, a Strategy reportou um expressivo prejuízo contábil não realizado de US$ 17,4 bilhões referente ao quarto trimestre de 2025. Esse resultado reflete a desvalorização de mais de 23% que o bitcoin sofreu nos últimos meses do ano passado, impactando a marcação a mercado dos ativos da empresa.
Para mitigar o impacto fiscal desse resultado negativo no balanço, a companhia registrou um benefício tributário diferido de aproximadamente US$ 5 bilhões.

Fonte: Google Finance
As ações da Strategy (MSTR) reagiram com otimismo no pré-mercado desta segunda-feira, subindo 4,8% e superando o patamar de US$ 160. Contudo, o papel ainda acumula uma queda superior a 58% no intervalo de um ano, evidenciando a alta correlação e a volatilidade intrínseca ao modelo de negócios focado integralmente em criptoativos.
Hegemonia institucional e a tese de reserva de valor
A advocacia da Strategy em favor do bitcoin tem servido de inspiração para outras corporações globais, como a japonesa Metaplanet. A companhia asiática já se consolidou como a quarta maior detentora pública da moeda, acumulando 35.102 bitcoins em seu balanço, avaliados em cerca de US$ 3,25 bilhões na cotação atual.
Atualmente, as empresas de capital aberto ao redor do mundo detêm cerca de 1,09 milhão de bitcoins, o que representa aproximadamente 5,21% da oferta total circulante. Esse nível de concentração institucional é um dos pilares que sustenta a tese de escassez absoluta defendida por analistas que projetam a continuidade do rali.
Desafios para a continuidade da tendência de alta
A sustentação definitiva deste rali dependerá, segundo o comentarista Exitpump, da entrada consistente de compradores no mercado à vista. A análise sugere que, sem o suporte de volume real, o bitcoin fica vulnerável a armadilhas de touro (bull traps) que podem resultar em liquidações rápidas caso o cenário externo se estabilize.
O enfraquecimento da demanda institucional via ETFs no final do ano passado ainda deixa sequelas na estrutura do mercado. Analistas concordam que o início de 2026 é otimista, mas a exaustão técnica pode surgir se o nível de US$ 94 mil não for defendido com ordens de compra robustas nos próximos pregões.
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