Segundo um estudo do FMI publicado na terça-feira, a inteligência artificial poderá impulsionar a economia da África Subsaariana em cerca de 4% na próxima década, mas apenas se os governos resolverem primeiro os problemas de eletricidade, acesso à internet e capacitação digital.
O FMI acredita que, sem essas reformas, quaisquer ganhos decorrentes de um boom da IA se reduzirão a quase nada.
Países que modernizam a infraestrutura e capacitam seus trabalhadores em habilidades relacionadas à IA podem obter um aumento de cerca de 4% na produção econômica ao longo de dez anos. Já os países que não o fazem podem registrar um aumento de apenas 0,2% no mesmo período.
“Francamente, isso é um erro de arredondamento”, disse Andrew Tiffin, coautor do relatório. O autor principal, Martin Schindler, chefe adjunto de divisão e chefe de missão do Departamento Africano do FMI, deixou a decisão nas mãos dos formuladores de políticas. “As mudanças nas políticas serão fundamentais para que se possa desbloquear um maior crescimento por meio da IA”, afirmou.
O FMI explica que o risco é diferente nesta região geográfica do que em economias mais ricas. A preocupação para a África Subsaariana não é que a IA substitua trabalhadores, argumenta o documento, mas sim que a região não consiga adotar e expandir a tecnologia com rapidez suficiente para acompanhar o ritmo. Sua taxa de adoção de IA está entre as mais baixas do mundo, à frente apenas da Ásia Meridional.
O fornecimento confiável de eletricidade continua sendo a maior restrição. Cerca de metade da população da região não tem acesso a nenhum tipo de fornecimento confiável, e o relatório vincula qualquer progresso em IA diretamente à resolução dos problemas de energia.
“É difícil ter qualquer coisa sem eletricidade”, disse Tiffin.
No artigo, o FMI propõe que o desenvolvimento de redes elétricas e minirredes direcionadas, construídas em torno de escolas, clínicas e outras instalações públicas, poderia funcionar também como polos digitais locais. Tiffin também afirmou que os próprios centros de dados podem se tornar projetos que trazem nova capacidade para a rede, transformando a necessidade de IA em um argumento para o desenvolvimento energético.
O segundo maior obstáculo é a conectividade com a internet. De acordo com o estudo publicado, apenas 38% dos africanos estavam online em 2024, em comparação com uma taxa global de 68%. O FMI aponta o investimento em infraestrutura de fibra óptica e redes de acesso aberto como uma forma de reduzir custos e ampliar o acesso à internet.
A Microsoft e a G42 já anunciaram um campus de data centers de 100 megawatts e US$ 1 bilhão no Quênia, alimentado por energia geotérmica, informou. A Cassava Technologies e a NVIDIA assinaram um contrato de US$ 700 milhões para instalar 12.000 GPUs na África do Sul, Nigéria, Quênia, Egito e Marrocos.
Esse capital proposto está concentrado, e o FMI vê isso como um risco. A África abriga cerca de 160 centros de dados, o que equivale a cerca de 5,5% do total global, com quase metade deles localizados em apenas três países: África do Sul, Nigéria e Quênia.
O relatório alerta que o investimento em IA, se continuar concentrado em apenas alguns países, poderá ampliar as disparidades entre as economias africanas em vez de as aproximar.
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