Jeff Bezos juntou-se a investidores que apoiam a startup britânica CuspAI em uma rodada de financiamento de cerca de US$ 450 milhões. O investidor atual, Temasek, também participou, o que demonstra a crescente confiança de que a inteligência artificial pode acelerar uma das etapas mais lentas e caras do desenvolvimento tecnológico: a descoberta de novos materiais para semicondutores avançados.
Este investimento é um indicador da ampla mudança na competição em IA. Embora o foco do setor tenha sido em chatbots e grandes modelos de linguagem, a futura vantagem competitiva pode depender mais dos materiais que sustentam o desenvolvimento de chips mais rápidos e melhores.
A CuspAI, localizada em Cambridge, dedica-se à formulação de soluções de IA que ajudam a criar materiais destinados a semicondutores, baterias, catalisadores e membranas, e criou uma Fundição de Materiais de IA que estabelece parcerias com empresas do setor para desenvolver compostos projetados para objetivos específicos, em vez de usar apenas materiais já conhecidos.
Não há garantia de que todo material que pareça promissor realmente exista.
Por isso, os cientistas se preocupam com a estabilidade termodinâmica. Essa medida mostra se a estrutura cristalina consegue resistir ao tempo sem se deteriorar e se decompor em componentes diferentes. Usando modelos modernos de inteligência artificial , os cientistas podem calcular o estado energético de um material antes mesmo de sua síntese, eliminando opções inviáveis e permitindo que se concentrem naquelas com maiores chances de sucesso.
O Google DeepMind demonstrou essa abordagem em seu artigo de 2023 Nature sobre GNoME (Redes Gráficas para Exploração de Materiais).
“O GNoME descobriu 2,2 milhões de estruturas cristalinas, incluindo mais de 380.000 previstas como estáveis.” — Merchant et al., Nature (2023)
Os materiais estáveis previstos foram adicionados ao banco de dados aberto do Materials Project, permitindo que pesquisadores de todo o mundo realizem experimentos com eles.
A ideia foi ainda mais desenvolvida por cientistas. Em um artigo de 2025 publicado na revista Communications Materials, a equipe que trabalha no projeto ME-AI (Materials Expert-Artificial Intelligence) compartilhou uma visão geral do conceito, que combina a expertise de cientistas de materiais com técnicas de aprendizado de máquina para prever o comportamento dos materiais no futuro.
“Nossa estrutura se adapta ao crescimento de bancos de dados, incorpora conhecimento especializado, oferece critérios interpretáveis e orienta a síntese direcionada.” — Schoop et al., Communications Materials (2025)
Em conjunto, esses esforços ilustram como a IA está mudando o processo de descoberta de materiais, de uma busca ampla para um processo de design focado.
A CuspAI não divulgou o valor investido por Bezos nem a lista completa de investidores na última rodada de financiamento. No entanto, essa nova rodada de financiamento indica o crescente interesse dos investidores na aplicação de IA em áreas além de software, incluindo ciência e manufatura de alta tecnologia.
À medida que a CuspAI reduz o tempo gasto na descoberta de novos materiais semicondutores, desenvolvimentos mais rápidos na fabricação de chips também podem ocorrer em diversos setores. Se o desenvolvimento de materiais acelerar, então o progresso poderá ocorrer em baterias, energia limpa, produtos químicos industriais e na próxima geração de infraestrutura de IA. O apoio financeiro maciço de Bezos sugere que os investidores perceberam que inovações em ciências físicas, e não apenas melhores modelos de IA, podem ser o próximo passo na tecnologia.
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