A União Europeia deve estar preparada para uma crise energética prolongada, de acordo com o responsável pelo setor no órgão executivo em Bruxelas.
Embora a UE esteja avaliando “todas as possibilidades” para lidar com a situação, incluindo o racionamento de combustível, sua liderança não pretende abandonar os planos de deixar de depender do gás russo.
O Comissário Europeu da Energia, Dan Jørgensen, prevê uma crise prolongada causada pela guerra no Oriente Médio, que já dura mais de um mês.
No final de fevereiro, os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos conjuntos contra o Irã, que retaliou atingindo alvos em toda a região do Golfo Pérsico.
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, responsável por mais de 20% das remessas globais de petróleo e gás, fez com que os preços do petróleo disparassem para mais de US$ 100 o barril.
Os extensos danos causados à infraestrutura energética da região despertaram temores em todo o mundo sobre o futuro do fornecimento de energia.
A Europa, que foi uma das regiões mais afetadas, está agora a considerar opções para lidar com o choque energético, disse Jørgensen ao Financial Times na sexta-feira, alertando:
“Esta será uma longa crise… os preços da energia permanecerão altos por muito tempo.”
Ele acrescentou que, para alguns produtos "críticos", as autoridades em Bruxelas esperam que a situação possa piorar ainda mais nas próximas semanas.
O Comissário insistiu que a União “ainda não se encontra em crise de segurança de abastecimento”. Ao mesmo tempo, sua administração está planejando como lidar com os “efeitos estruturais e duradouros” da guerra.
“A retórica e as palavras que estamos usando são mais sérias agora do que eram no início da crise”, admitiu Jørgensen, explicando melhor:
“Nossa análise indica que essa situação certamente se prolongará e que os países precisam ter certeza de que... possuem o que necessitam.”
Ele enfatizou que a UE está se preparando para os piores cenários, como o racionamento de produtos petrolíferos como o diesel e o combustível de aviação.
O país também está preparado para liberar mais petróleo das reservas de emergência, embora não precise fazê-lo no momento.
“Quer dizer, é melhor estar preparado do que se arrepender”, acrescentou Jørgensen em comentários para o jornal de negócios britânico.
Em meio à alta dos preços de mercado, os Estados-membros da UE realizaram uma liberação em larga escala de reservas de petróleo no mês passado. Jørgensen não descartou outra liberação, se necessário, embora tenha se recusado a indicar quando isso poderia acontecer.
Neste momento, a Europa não está a alterar os seus regulamentos para permitir a importação de combustível de aviação de qualidade inferior ou gasolina com maior teor de etanol, observou Dan Jørgensen.
“Ainda não chegamos ao ponto de termos corrigido ou alterado qualquer uma de nossas regras atuais”, disse ele, mas também enfatizou que a Comissão está analisando todas as possibilidades.
“É evidente que quanto mais grave a situação se torna, mais teremos que analisar instrumentos legislativos”, observou Jørgensen
“Se esta crise for de fato, como prevejo, uma crise prolongada, então precisaremos dessas ferramentas também em um estágio posterior. Elas precisam ser implementadas no momento exato e de forma proporcional.”
Ao mesmo tempo, Jørgensen deixou claro que Bruxelas não tem intenção de alterar a legislação que põe fim às importações de gás natural liquefeito ( GNL ) russo para a UE.
A União Europeia é favorável à substituição desses produtos por remessas dos Estados Unidos e de outros parceiros que operam no livre mercado, como ele argumentou.
O fornecimento russo de GNL para o bloco caiu 5,6% em 2025, para 20,3 bilhões de metros cúbicos, destacou a agência TASS em uma reportagem que cita o Comissário de Energia.
Com um fornecimento total de gás de 38 bilhões de metros cúbicos, a Rússia ficou em quarto lugar entre os fornecedores da Europa, com a Noruega, os EUA e a Argélia formando os três primeiros lugares, observou também a agência de notícias.
Em janeiro, os países da UE aprovaram uma proibição total das importações russas de GNL, a partir de 1º de janeiro de 2027, e das importações de gás por gasoduto a partir de 30 de setembro de 2027.
No entanto, algumas restrições entrarão em vigor muito antes. Por exemplo, as importações de GNL sobtracde curto prazo serão proibidas a partir de 25 de abril, enquanto ostracde curto prazo para gás natural por gasoduto deverão ser concluídos até 17 de junho de 2026.
A decisão faz parte dos esforços para acabar com a dependência da UE em relação à energia da Rússia e impedir que Moscou use os recursos para financiar sua invasão da Ucrânia.
O novo conflito no Irã levou ao aumento dos preços dos combustíveis em todo o Velho Continente, e ambas as guerras ameaçam praticamente interromper o fornecimento de petróleo e gás para a Europa.
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