TradingKey - Com o anúncio de um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã, os contratos futuros das duas principais referências de petróleo bruto recuaram ainda mais, aproximando-se dos níveis anteriores ao conflito. O foco do mercado voltou-se para o trânsito de embarcações pelo Estreito de Ormuz após a assinatura do acordo entre os EUA e o Irã.
Uma coalizão naval liderada pelos EUA emitiu um comunicado às empresas de navegação informando que o nível de ameaça para embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz foi rebaixado, embora os transportadores devam permanecer vigilantes contra o risco de ataques durante a passagem.
Até o momento desta publicação, os futuros dos dois principais tipos de petróleo bruto operavam sob pressão, com o petróleo WTI caindo cerca de 4%, para US$ 72,99, e o Brent recuando 3,54%, para US$ 76,73.

[Fonte: FutuBull]
De acordo com um relatório da Ritterbusch & Associates, o mercado atual está dividido entre uma onda de baixa impulsionada pela reabertura do estreito e o suporte dos fundamentos decorrente de uma oferta extremamente apertada, um cabo de guerra que muito provavelmente persistirá na próxima semana. A consultoria observou ainda que há uma defasagem na recuperação da oferta de petróleo bruto e que, mesmo em agosto ou mais tarde, a capacidade pode não retornar a 50%-60% dos níveis anteriores à guerra, enquanto a necessidade de recompor estoques anteriormente esgotados trará um impulso significativo à demanda.
Enquanto isso, la Agência Internacional de Energia (AIE) declarou que, desde que o memorando de entendimento seja implementado, a produção e as exportações de petróleo na região do Golfo se recuperarão gradualmente. Assim que os EUA suspenderem o bloqueio ao Irã, as exportações de petróleo iraniano poderão ser totalmente retomadas de forma imediata.
Em seu último relatório mensal do mercado de petróleo, a agência rebaixou significativamente sua previsão para a demanda global de petróleo em 2026, reduzindo a projeção de crescimento da demanda para este ano para uma queda anual de 1,1 milhão de barris por dia (bpd), um corte adicional de 700.000 bpd em comparação com a previsão de maio. O relatório destacou especificamente que uma queda anual de 5 milhões de bpd nas entregas globais de petróleo no segundo trimestre de 2026 foi o principal motivo para essa grande revisão para baixo.
A agência também alertou que, com a expectativa de alívio nas tensões no Oriente Médio, o mercado poderá enfrentar um excesso significativo de oferta, lembrando aos participantes do mercado que uma recuperação total do lado da oferta não pode ser alcançada do dia para a noite.
No entanto, em forte contraste com essa previsão de demanda pessimista, a OPEP enviou um sinal completamente diferente e claro: a demanda por petróleo está longe de atingir o pico, e as previsões de crescimento de longo prazo continuam sendo revisadas para cima.
Em seu 'World Oil Outlook 2026', o cartel manteve sua projeção de forte crescimento da demanda global de petróleo nos próximos quatro anos, ao mesmo tempo em que elevou ligeiramente sua previsão de demanda de longo prazo. A organização declarou que o ambiente de políticas globais está se voltando cada vez mais para o apoio ao consumo de petróleo, sem absolutamente nenhum sinal de pico na demanda.
O relatório observou que o foco crescente dos países na segurança energética e nos custos alterou a trajetória das políticas energéticas globais, ajustes que devem apoiar a demanda por petróleo no médio e longo prazo. No longo prazo, a OPEP espera que a demanda global por petróleo atinja 124 milhões de bpd até 2050, 1,1 milhão de bpd a mais do que a previsão do ano passado, reiterando mais uma vez que a demanda por petróleo não atingirá um pico, pelo menos no futuro previsível.