TradingKey - À medida que se aproxima a cerimônia de assinatura do acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irã em 19 de junho, a Bloomberg News e a Agência de Notícias Mehr, do Irã, divulgaram sucessivamente o rascunho completo do memorando de entendimento de 14 pontos entre os EUA e o Irã. Este acordo-quadro, apelidado de "Memorando de Islamabad", visa encerrar permanentemente o conflito que eclodiu entre as duas partes em fevereiro de 2026 e abrir caminho para negociações sobre um acordo final com duração de até 60 dias.
O local da assinatura está definido para Bürgenstock, na Suíça. O Ministério das Relações Exteriores da Suíça confirmou no dia 16 que a cerimônia de assinatura está programada para ocorrer na noite de 19 de junho, no horário local, no resort de Bürgenstock, perto de Lucerna, no centro da Suíça. O local foi proposto conjuntamente pelos mediadores, Paquistão e Catar, bem como pelos EUA e pelo Irã.
Cessar-fogo permanente e respeito mútuo à soberania. O primeiro artigo do acordo declara o fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes (incluindo o Líbano), com ambos os lados se comprometendo a não mais se engajar em ações hostis ou usar a força um contra o outro. O segundo artigo estabelece explicitamente o compromisso dos EUA de não interferência nos assuntos internos do Irã e de respeito à soberania iraniana.
Estreito de Ormuz será reaberto em até 30 dias, tropas dos EUA se retirarão após o acordo final. Os EUA se comprometem a suspender totalmente o bloqueio marítimo dentro de 30 dias após a assinatura; o Irã deve reabrir o Estreito de Ormuz no mesmo prazo. Em relação à retirada das tropas, os EUA prometem retirar suas forças da região circundante dentro de 30 dias após a assinatura do acordo final.
Fundo de investimento privado de US$ 300 bilhões, excluindo fundos governamentais. O rascunho exige que os EUA e seus aliados proponham um plano de reconstrução iraniano totalizando pelo menos US$ 300 bilhões. A mídia estrangeira informou no dia 16 que o fundo é um "veículo de investimento privado" e não contém fundos governamentais ou doações. Já foram garantidos compromissos para mais da metade do valor, com investidores incluindo empresas dos EUA, países do Golfo, Ásia, América do Sul e África, visando setores como energia, logística, manufatura e transporte.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou nas redes sociais no dia 16 que os relatos de que "os EUA pagariam US$ 300 milhões ao Irã" são "fake news". No entanto, a redação do rascunho de "garantir pelo menos US$ 300 bilhões em apoio financeiro" enfatiza a captação de recursos junto ao setor privado e às nações regionais, em vez de dotações diretas do governo dos EUA.
Proibição de exportação de petróleo suspensa imediatamente, sanções serão eliminadas gradualmente. O Departamento do Tesouro dos EUA emitirá isenções para as exportações de petróleo bruto, petroquímicos e derivados iranianos imediatamente após a assinatura do memorando. Os EUA se comprometem a encerrar todas as sanções contra o Irã sob a estrutura do acordo final, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, as restrições da AIEA e as sanções unilaterais primárias e secundárias dos EUA.
Questão nuclear: Irã reafirma que não desenvolverá armas nucleares. O Irã reafirma seu compromisso sob o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares de não fabricar armas nucleares. O acordo final abordará apenas questões como o descarte de urânio enriquecido, atividades de enriquecimento de urânio, suspensão de sanções e reconstrução econômica. De acordo com a versão preliminar divulgada pela mídia iraniana, o programa de mísseis do Irã e seu apoio às frentes de resistência regional estão explicitamente excluídos da agenda.
US$ 24 bilhões em ativos congelados serão descongelados em duas parcelas. Em relação aos ativos congelados, o Artigo 11 da versão da Bloomberg do rascunho apenas afirma vagamente que "os fundos e ativos congelados ou restritos do Irã serão descongelados", sem especificar valores ou cronogramas concretos.
A versão divulgada pela Agência de Notícias Mehr do Irã, no entanto, exige explicitamente o descongelamento de metade dos US$ 24 bilhões (US$ 12 bilhões) antes do início das negociações. Um alto funcionário dos EUA negou isso, chamando de "um acordo de pagamento por desempenho sob o qual os fundos só serão descongelados quando o Irã cumprir seus compromissos". O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Gharibabadi, declarou que os fundos são "um direito legítimo do Irã, sem quaisquer restrições".
Espera-se que o acordo final seja aprovado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU. No entanto, fontes próximas ao assunto revelaram que alguns detalhes técnicos ainda estão sendo negociados, e a redação ainda poderá ser ajustada antes da assinatura oficial.
Além disso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfatizou em um telefonema com Trump no dia 14 que Israel manterá liberdade de ação e não se limitará de forma alguma. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que as forças armadas israelenses permaneceriam no sul do Líbano "indefinidamente". O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, foi além, afirmando explicitamente que Israel não está vinculado ao acordo.