Quatro pesquisadores, liderados por um investigador do Serviço Nacional de Impostos, estão pressionando a Coreia do Sul para que reescreva seu Código de Processo Penal, de modo que os promotores possam efetivamente apreender as criptomoedas que os suspeitos mantêm em carteiras privadas.
A legislação atual, que as autoridades fiscais sul-coreanas pretendem alterar, deixa uma brecha suficientemente grande para que um suspeito movimente fundos roubados mesmo após a emissão de um mandado judicial.
Um artigo escrito por quatro pesquisadores, liderados por Jang Heuiwon, chefe de uma equipe de investigação do Serviço Nacional de Impostos, foi publicado na revista Korean Criminological Review (형사정책연구, vol. 37, no. 2).
O artigo, intitulado "Limites da Execução de Apreensões para Ativos Virtuais Autocustodiados e uma Proposta Legislativa", argumenta que a atual Lei de Processo Penal não confere à polícia o poder de apreender adequadamente criptomoedas armazenadas em carteiras de autocustódia e defende que a lei seja reformulada.
Os pesquisadores alertam que, mesmo após a polícia apresentar um mandado, um suspeito que tenha memorizado ou copiado sua chave privada ou frase mnemônica pode enviar as moedas para outro lugar.
Esta proposta baseia-se numa decisão do Supremo Tribunal de Justiça de dezembro de 2025, na qual o tribunal confirmou que Bitcoin mantidos numa corretora podem ser apreendidos, rejeitando o argumento de um réu que alegava que os seus 55,6 Bitcoin (avaliados em cerca de 4,1 milhões de dólares na altura) eram “meros dados” e não propriedade.
O tribunal decidiu que Bitcoin possui capacidade de gestão, transferibilidade e valor econômicodent , mas a decisão não explicou como apreender moedas às quais somente o suspeito tem acesso.
Atualmente, os investigadores contam com o Artigo 120 do Código de Processo Penal, que lhes permite abrir fechaduras e tomar as medidas “necessárias” para executar um mandado de busca e apreensão, mas esta lei não se aplica às criptomoedas porque a transferência de ativos de um endereço para outro altera quem controla a propriedade.
O artigo também afirma que a ferramenta normalmente usada para congelar ativos antes de um veredicto, chamada de preservação pré-julgamento, é ineficaz porque pressupõe que um terceiro, como um banco, possa receber a ordem. Com uma carteira auto-hospedada, não existe tal terceiro.
Os pesquisadores sugerem que os mandados devem ser específicos. Um mandado teria que especificar o tipo e a quantidade do ativo, o endereço de origem confirmado, o endereço de destino, o método de transferência e como as moedas serão armazenadas posteriormente.
Após a apreensão de ativos digitais, os pesquisadores sugerem que as moedas não sejam armazenadas em um endereço controlado apenas pelos investigadores, pois isso facilitaria o roubo.
Em vez disso, os pesquisadores propõem um endereço compartilhado, gerenciado em conjunto pelo tribunal, pela agência investigadora e pela pessoa de quem os bens foram apreendidos. Se houver indícios de que o suspeito pretende se desfazer dos bens, o estudo sugere que, inicialmente, a transferência seja feita para um endereço temporário designado pelo tribunal.
O Supremo Tribunal Federal publicou separadamente propostas de emendas às Regras de Execução Civil, que abrangem a forma como os tribunais congelam, transferem e liquidam ativos digitais para satisfazer dívidas. Essas regras também dependem de corretoras para a entrega de ativos e se tornam mais complexas com a entrada em cena das carteiras de autocustódia.
Em janeiro, cerca de 320 Bitcoin (avaliados em aproximadamente US$ 48 milhões na época) desapareceram do Gabinete do Procurador Distrital de Gwangju. Em fevereiro, outros 22 Bitcoin (avaliados em cerca de US$ 1,5 milhão) sumiram de bens apreendidos pela polícia de Gangnam em 2021. Ambas as perdas foram tracaté carteiras USB e chaves privadas mal utilizadas.
Em fevereiro, o Serviço Nacional de Impostos causou umdent grave ao divulgar uma frase de recuperação de carteira digital em um comunicado público à imprensa sobre a aplicação de medidas de cobrança de impostos atrasados, o que levou à transferência não autorizada de cerca de US$ 4,8 milhões em criptoativos.
Essas falhas levaram a Agência Nacional de Polícia a contratar Dunamu como custodiante profissional. O trabalho consiste em armazenar as moedas confiscadas pela agência, totalizando cerca de 54,5 bilhões de won em criptomoedas apreendidas ao longo de cinco anos.
O Serviço Nacional de Impostos também começou a desenvolver suas próprias soluções. Em maio, a agência iniciou o desenvolvimento de um sistema baseado em inteligência artificial, com custo aproximado de US$ 2,2 milhões, que integrará registros de transações de exchanges com dados de blockchain para detectar atividades suspeitas, como lavagem de dinheiro e evasão fiscal offshore. O sistema abrangerá carteiras não custodiadas e envolverá grandes exchanges como Upbit e Bithumb. A conclusão está prevista para o final de 2026.
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