Em outubro passado, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, admitiu que a participação de mercado da empresa na China havia caído praticamente a zero. No entanto, parece que a Nvidia não desistiu do mercado chinês, já que, segundo relatos, está aceitando encomendas de clientes chineses para seu novo processador Vera.
Fontes familiarizadas com as discussões disseram à Reuters que o chip poderia ser enviado já em agosto.
Apesar de seus esforços, a Nvidia não conseguiu manter uma posição consolidada na China devido aos controles de exportação dos EUA, que bloquearam o envio de seus aceleradores de IA mais potentes para a China.
Em resposta, Pequim direcionou os compradores domésticos para alternativas de fabricação nacional, como a Huawei e outras empresas.
Segundo relatos, nenhum cliente chinês recebeu qualquer GPU H200, apesar de 10 empresas terem recebido licenças nos EUA, e isso ocorre porque as autoridades chinesas retiveram sua própria aprovação.
Com o Vera, a Nvidia está entrando no mercado de CPUs para servidores, um segmento que atualmente enfrenta menos restrições de exportação do que os aceleradores de IA de ponta.
O chip é o primeiro processador central independente da Nvidia, projetado para as tarefas de computação das quais os agentes de IA dependem, como consultas a bancos de dados e compilação de código.
Segundo a Nvidia, os chips Vera, construídos com arquitetura Arm, são 1,8 vezes mais rápidos que processadores x86 comparáveis em cargas de trabalho relacionadas a sistemas autônomos de IA. As linhas Xeon da Intel e Epyc da AMD dominaram o mercado de processadores para servidores por décadas, utilizando designs x86.
“Os agentes de IA serão os maiores usuários de computação”, disse Huang em um evento, acrescentando que “Vera é a primeira CPU projetada para esse futuro”.
Pelo menos um dos principais provedores de nuvem chineses planeja encomendar mais de 300 servidores, cada um com dois processadores Vera, para testes iniciais, de acordo com uma fonte próxima ao assunto.
No entanto, ainda não está claro se esses testes se converterão em compras em larga escala. Problemas de compatibilidade de software e a dificuldade de migrar cargas de trabalho já desenvolvidas em torno de chips nacionais podem retardar a adoção, disse uma segunda fonte.
Há também o obstáculo do preço, já que um único processador Vera custa mais de US$ 20.000 antes dos descontos por volume, e um rack completo com 256 chips chega a custar aproximadamente US$ 10 milhões, dependendo da configuração da memória, de acordo com estimativas da SemiAnalysis.
Uma das fontes acrescentou ainda que os compradores chineses estão planejando implantar os chips em centros de dados fora da China, já que o uso doméstico ainda é considerado politicamente sensível.
A indústria global de IA está passando da fase de treinamento de grandes modelos para a execução desses modelos em larga escala, uma fase chamada inferência.
Essa transição favorece CPUs e chips personalizados juntamente com GPUs, e resultou na escassez de CPUs. A Intel já havia sinalizado esse cenário em fevereiro, quando informou aos clientes chineses que deveriam esperar um prazo de entrega de seis meses para processadores de servidor.
A AMD afirmou no mês passado que o mercado global de CPUs está "apertado", com a demanda superando a oferta atual e as previsões.
A Nvidia espera faturar US$ 20 bilhões com o Vera até o final do seu atual ano fiscal, que termina em janeiro de 2027. Os provedores de nuvem Alibaba e ByteDance estão entre as empresas que colaboram na implementação do Vera, embora não haja confirmação se já fizeram pedidos.
Os resultados do primeiro trimestre fiscal de 2027 da Nvidia, divulgados em maio, mostraram uma receita total de US$ 81,6 bilhões, um aumento de 85% em relação ao ano anterior, com o segmento de data centers representando US$ 75,2 bilhões desse total.
Caso os EUA determinem que os processadores de CPU contribuem para o desenvolvimento de IA avançada na China, novas restrições poderão ser impostas.
A busca de Pequim pela autossuficiência em semicondutores adiciona mais uma camada de risco. Os clientes chineses podem considerar o hardware da Nvidia como uma solução temporária até que as alternativas nacionais se tornem competitivas, o que é uma má notícia para a Nvidia.
A Nvidia também tomou medidas para fortalecer sua posição política em Washington. Recentemente, a empresa contratou Bruce Andrews, ex-funcionário do Departamento de Comércio durante o governo Obama e ex-chefe de relações governamentais da Intel, para liderar sua área de assuntos governamentais.
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