Odent colombiano Gustavo Petro expressou seu entusiasmo em participar do boom da mineração Bitcoin que está ocorrendo na América Latina. Em uma publicação no LinkedIn compartilhada na terça-feira, Petro destacou como a Venezuela e o Paraguai são exemplos de países que já estão atraindo investimentos em mineração por meio do excedente de energia limpa e argumentou que a costa caribenha da Colômbia possui uma oportunidade semelhante e ainda inexplorada. Em sua publicação, ele citou especificamente cidades como Santa Marta, Barranquilla e Riohacha como possíveis polos, propondo modelos nos quais as comunidades indígenas Wayú poderiam participar como coproprietárias em empreendimentos de energia e mineração.
Em relação às fontes de energia, odent Petro foi muito claro em sua posição. Ele expressou como a mineração por meio de combustíveis fósseis é prejudicial ao clima, mas reiterou como o setor se torna um grande motor econômico quando baseado em energias renováveis. Sua publicação fez referência à análise de Alessandro Cecere, de Luxor, conhecido como Sultan Bitcoin, que mapeou como o excedente hidrelétrico no Paraguai transformou um país de sete milhões de habitantes na quarta maior jurisdição de mineração Bitcoin do mundo.
Os números por trás da ascensão do Paraguai são difíceis de ignorar. De acordo com o State of Bitcoin Mining in Latin America (2026) , o Paraguai detém aproximadamente 43 EH/s, ou 4,3% do hashrate global, no segundo trimestre de 2026. O país fica atrás apenas dos Estados Unidos, Rússia e China. A razão reside em uma vantagem estrutural: a Usina Hidrelétrica de Itaipu gera muito mais eletricidade do que o país consome, com o preço da energia industrial variando entre US$ 0,037 e US$ 0,050 por quilowatt-hora. Operadoras institucionais como a HIVE Digital Technologies e a Alps Blockchain construíram uma capacidade significativa na região, tratando o Paraguai como uma base de longo prazo, e não como um investimento de curto prazo.
O mesmo relatório destaca que o restante da América Latina, com exceção do Brasil, representa apenas 1-2% do poder de processamento global, apesar de possuir reservas renováveis enormes. O poder de processamento do Brasil cresceu 133% em relação ao ano anterior, atingindo 3,5 EH/s, após a desregulamentação do mercado de eletricidade, que permitiu aos mineradores negociarem diretamente com as geradoras. A Venezuela permanece em estágio de potencial. Sua infraestrutura hidrelétrica e reservas de gás natural isoladas parecem promissoras no papel, mas a instabilidade regulatória e a repressão contínua aos mineradores têm afastado o capital institucional.
Petro apresentou pela primeira vez a ideia de mineração Bitcoin com energias renováveis colombianas em outubro de 2021, quando ainda era senador. Na época, ele propôs usar cachoeiras na costa do Pacífico e o vento da região de La Guajira para alimentar a mineração e substituir a economia da cocaína. Ele repetiu a proposta durante sua campanhadentem 2022. Mas ambos os comentários anteriores eram ambiciosos, direcionados ao público interno e contextualizados no experimento de mineração vulcânica de El Salvador.
Desta vez é diferente. Petro não está mais apontando para El Salvador. Ele está apontando para o Paraguai e a Venezuela, dois países onde a atividade de mineração já está em grande escala ou sendo ativamente cortejada por operadores institucionais que buscam locais na América Latina. A mudança da inspiração para a competição é significativa. A matriz energética da Colômbia já é composta por cerca de 75% de energia hidrelétrica e a costa caribenha possui um potencial eólico substancial que permanece em grande parte inexplorado. La Guajira, por si só, já foidenthá muito tempo como um dos corredores eólicos mais promissores da região. Os ingredientes básicos existem.
A concretização desse projeto depende das barreiras habituais: clareza regulatória, infraestrutura de rede e confiança dos investidores. Especialistas observaram que a expansão desse setor exige segurança jurídica e a capacidade detraccapital privado, duas coisas que a Colômbia não conseguiu estabelecer para a mineração. O exemplo da Argentina, citado no mesmo relatório do Índice de Hashrate, ilustra bem isso. Apesar de possuir alguns dos melhores ativos energéticos do hemisfério, o hashrate argentino caiu 42% em relação ao ano anterior devido à instabilidade macroeconômica. Boa energia por si só não constrói uma indústria de mineração. O ambiente político precisa ser favorável.
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