O Telegram ultrapassou o WhatsApp e se tornou o aplicativo de mensagens mais popular da Rússia este ano, em meio às crescentes restrições impostas a ambos nos últimos meses.
A repressão de Moscou às plataformas globais de mensagens acusadas de não atenderem às suas exigências está afetando os rankings do mercado, com a Max, apoiada pelo Estado, alcançando as líderes.
O Telegram se tornou o serviço de mensagens mais usado na Rússia em janeiro passado, mas começou a perder usuários no mês seguinte, quando os órgãos reguladores russos começaram a limitar seu tráfego.
Segundo a Okkam, provedora de soluções de comunicação e marketing, a plataforma de Pavel Durov substituiu o WhatsApp, líder de longa data, nas primeiras semanas do ano.
Os cálculos, baseados em dados compilados pela empresa de pesquisa de tecnologia e mídia Mediascope, foram citados pela edição russa da Forbes na quarta-feira.
A pesquisa abrange usuários das versões para dispositivos móveis e computadores dos aplicativos com mais de 12 anos de idade que os acessaram pelo menos uma vez por mês.
Segundo o estudo, o Telegram tinha 95,978 milhões de usuários ativos em janeiro de 2026, enquanto o WhatsApp registrou 89,418 milhões.
Em fevereiro, a base de usuários do Telegram diminuiu em 286 mil, chegando a 95,692 milhões. No mesmo período, o WhatsApp registrou uma queda muito maior, de 9,1 milhões de usuários, totalizando 80,301 milhões.
Analistas acreditam, no entanto, que o reinado do Telegram não durará muito tempo, em meio a indícios de que o aplicativo de mensagens focado em privacidade poderá ser totalmente bloqueado, como o WhatsApp, no próximo mês.
Entretanto, a alternativa aprovada pelo governo, Max, foi a única entre as três principais da Rússia a aumentar o número de usuários, que chegou a 77,561 milhões, conforme destacou o artigo da Forbes.
O WhatsApp ainda liderava o ranking no ano passado, com 94,470 milhões de usuários em dezembro, enquanto o Telegram tinha 93,637 milhões, conforme também observou o veículo de notícias de negócios russo Frank Media.
Os dados mais recentes sobre os usuários surgem após as autoridades russas terem tomado uma série de medidas para limitar o acesso ao Telegram e ao WhatsApp nas últimas semanas e meses.
Em agosto, a agência reguladora de telecomunicações da Rússia, Roskomnadzor (RKN), restringiu parcialmente as chamadas de voz por meio dos dois aplicativos, citando como justificativa o uso crescente por fraudadores e extremistas.
No início de fevereiro, a agência governamental, que também atua como censora de mídia, começou a desacelerar o Telegram, ameaçando impor "restrições sequenciais" caso o aplicativo não cumprisse as normas relativas à moderação de conteúdo e outros requisitos.
A legislação atual, principalmente a chamada "lei de aterrissagem", obriga as plataformas de internet com mais de 500.000 usuários diários a abrir um escritório na Rússia e armazenar os dados dos usuários localmente, o que o Telegram ainda não fez
Também no mês passado, a RKN removeu o domínio do WhatsApp de seus servidores DNS, bloqueando efetivamente o acesso ao serviço de mensagens da Meta. A gigante americana de tecnologia, que também é dona do Facebook e do Instagram, foi classificada como uma “organização extremista” na Rússia.
Reportagens da mídia, citando uma publicação do canal Baza no Telegram, revelaram posteriormente que a Roskomnadzor está se preparando para começar a bloquear totalmente o aplicativo de mensagens de Durov em 1º de abril. A RKN não confirmou nem negou o ocorrido.
Entretanto, Moscou tem promovido o Max, o aplicativo de mensagens autorizado pelo Estado e desenvolvido pela rede social russa VK.
O proprietário do Telegram, Pavel Durov, alegou que o principal motivo da Rússia para restringir os concorrentes é forçar seus cidadãos a "migrarem para um aplicativo controlado pelo Estado, criado para vigilância e censura política"
Antes da mais recente repressão, as autoridades russas já haviam bloqueado outros aplicativos populares, como Signal, Discord e Vibe, até o final de 2024.
A Forbes.ru citou analistas do setor que preveem que a base de usuários do Telegram continuará diminuindo nos próximos dias, até que o Max eventualmente ocupe o primeiro lugar.
Segundo Leonid Konik, sócio da Comnews Research, o Telegram repetirá o destino do WhatsApp, com algum atraso. Parte de seus usuários migrará para o Max, outros permanecerão utilizando ferramentas de aceleração, que os farão aparecer como assinantes estrangeiros, e alguns optarão por alternativas .
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