Petrobras: Como o mercado avaliou prejuízo, capex e uso da reserva para dividendos

Autor: Investing.com
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Mitrade Team
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Fonte: DepositPhotos

Investing.com – O mercado digere balanço da estatal de petróleo Petrobras, que divulgou  prejuízo bilionário, resultado abaixo do esperado por analistas, diante de impactos cambiais e de acordo tributário. Esse é o primeiro prejuízo em quase quatro anos e o primeiro resultado da companhia sob o comando da nova CEO, Magda Chambriard, após demissão de Jean Paul Prates pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, as atenções dos investidores e analistas estão nos dividendos, com decisão de usar a reserva de capital para pagamento de proventos ordinários, e mudanças no capex anunciados.

Às 12h (de Brasília), as ações preferenciais (BVMF:PETR4) recuavam 0,54%, a R$36,65, as ações ordinárias (BVMF:PETR3) perdiam 0,60%, a R$39,46, e as American Depositary Receipts (ADRs) (NYSE:PBR) iam na contramão, subindo 1,34%, a US$14,37.

O resultado líquido da companhia foi negativo em R$2,6 bilhões no segundo trimestre, contra um lucro líquido de R$28,8 bilhões registrado um ano antes. No primeiro trimestre, o lucro contabilizado atingiu R$23,7 bilhões.

A Petrobras firmou acordo tributário em junho, com desconto a valores de Cide, PIS e Cofins que deveriam ter sido pagos entre os anos de 2008 e 2013, mas que gerou impacto de R$11,9 bilhões no resultado líquido referente ao segundo trimestre.

A geração de caixa somou R$47,2 bilhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado totalizou R$49,7 bilhões, uma diminuição anual de 12,3%. O lucro sem eventos exclusivos foi de R$ 28 bilhões no período.

Resultados abaixo do esperado, mas foco é outro....

“Os resultados do 2T24 da PBR provavelmente ficarão em segundo plano, com dividendos e revisão de capex roubando os holofotes”, acredita o BTG (BVMF:BPAC11), que segue com compra no papel, considerando valuation atrativo ao afirmar que, ainda que a governança não seja perfeita, permanece robusta.

Em relatório divulgado aos clientes e ao mercado, o UBS disse que o Ebitda ficou 9% abaixo do esperado por seus analistas, impactado pela produção menor sequencialmente e margens de combustível muito mais estreitas. Mesmo assim, o UBS segue com indicação de compra para a ação.

O resultado do trimestral também ficou abaixo do estimado pelo Bank of America (NYSE:BAC), que mencionou ainda lifting cost de US$6,05/boe, praticamente estável em relação ao trimestre anterior e alta de 1,5% em relação ao mesmo período de 2023.

No entanto, o BofA também discutiu mais em sua avaliação sobre o pagamento de dividendos, entendendo que a decisão da companhia pode causar atrito, mas ressaltando que dividendo especial não está descartado. A indicação segue de compra, mas o banco reconhece os temores recentes como ponto de cautela.

Com as ressalvas e questionamentos sobre os dividendos, o banco ainda vê “potencial para a empresa distribuir o excesso de caixa aos acionistas ainda neste ano, dada a robusta geração de FCF esperada para o futuro”, segundo Caio Ribeiro, Leonardo Marcondes e Mariana Leite.

Dividendos são a principal preocupação

Mesmo com o prejuízo, o Conselho de Administração (CA) da Petrobras aprovou o pagamento de dividendos intercalares e intermediários e juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$13,57 bilhões, equivalentes a R$1,05320017 por ação ordinária e preferencial em circulação. Os proventos serão pagos em duas parcelas, em novembro e dezembro.

O uso da reserva de capital para pagamento de dividendos ordinários não parece ter preocupado muito os analistas de grandes bancos, após explicações que os proventos extraordinários não estão fora da pauta, mas eles alertam para incertezas.

O entendimento é de que, mesmo que haja confusão em um primeiro momento, isso não impede a distribuição de dividendos extraordinários – ou pelo menos foi isso que ressaltou a administração. A expectativa é de que um possível anúncio de proventos extraordinários seja realizado em novembro deste ano.

Com o resultado líquido abaixo do esperado, os dividendos também vieram abaixo do previsto.  O consenso estimava rendimento de dividendos de 2,8%, contra 2,7% anunciados. O UBS, por exemplo, esperava rendimento de dividendos de 3%.

“Enquanto a empresa argumenta que a utilização da reserva para esse fim não deve impactar expectativas de se e quando os extraordinários podem ser pagos, vemos que o mercado pode receber negativamente o anúncio com base em um equívoco anterior de que a reserva seria usada apenas para extraordinários”, avaliam os analistas Luiz Carvalho, Matheus Enfeldt e Tasso Vasconcellos, que alertam para mais incertezas em relação aos rendimentos de proventos.

O UBS entende que a estatal tem potencial para pagar em torno de US$3-5 bilhões em proventos extraordinários até o final de 2025. A projeção representaria “uma combinação de contínuo FCF forte (US$ 6-7 bilhões por trimestre), mas com investimentos crescentes em 2025 e a necessidade de pagar a dívida financeira para manter a dívida bruta abaixo de US$65 bilhões”.

O BTG ressaltou que a companhia demonstrou comprometimento com a política de dividendos e concordou que o uso da reserva de capital pode gerar algum ruído. “Os investidores podem questionar se isto sinaliza uma menor probabilidade de distribuições extraordinárias pela frente”, alertaram os analistas Pedro Soares, Henrique Pérez e Thiago Duarte, que entendem ser necessário desconsiderar esses barulhos.

A gestão financeira da Petrobras teria dito a analistas, segundo o BTG, que a decisão de utilizar a reserva de capital não descarta a distribuição de dividendos especiais, e que esta depende da capacidade financiamento de seus planos de curto e médio prazo. A decisão estará mais ligada ao caixa do que ao tamanho da reserva de capital, completa o Itaú BBA, mencionando que a empresa espera ter visão mais clara sobre o tema até setembro.

Previsão para investimentos alterada – como pode afetar dividendos?

Além dos dividendos, o capex também rouba as atenções dos investidores. Em fato relevante, a estatal revisou projeção para investimentos neste ano para entre US$ 13,5 bilhões e US$ 14,5 bilhões, o que a empresa afirmou não impactar a curva de produção de petróleo e gás. O montante revisado corresponde a um crescimento de 7% a 15% em comparação ao realizado em 2023.

Ainda falta clareza se o investimento não gasto em 2024 será empurrado para o próximo ano. O BofA acha que é provável que isso ocorra, pelo menos parcialmente, assim como o BTG. O Itaú BBA, por sua vez, disse que como resultado, a redução no capex “pode abrir espaço para um dividendo ordinário maior para o ano (13% contra 11% anteriormente)”.

Recomendações para Petrobras

UBS: Compra, com preço-alvo de R$49 para PETR4 e PETR3 (BVMF:PETR3), e US$19,4 para ADRs.

BTG: Compra, com preço-alvo de US$19 para ADRs.

Itaú BBA: Market perform, com preço-alvo de R$43 para PETR4 e US$17,6 para ADRs.

BofA: Compra, com preço-alvo de R$47 para PETR4 e PETR3, e US$17,90 para ADRs.

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