Ibovespa fecha em baixa com correção e juros futuros; varejo e plano para tarifas ficam no radar

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Fonte: DepositPhotos

O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (13/8) em queda de 0,88%, aos 136.687 pontos, em um movimento de correção após a forte alta registrada na véspera. O dia foi marcado por uma combinação de fatores técnicos e fundamentalistas que pressionaram o índice.

A volatilidade aumentou devido ao vencimento de opções sobre o Ibovespa, enquanto a alta nas taxas dos juros futuros mais longos pesou sobre as ações ligadas à economia doméstica. Nesse cenário, os investidores também repercutiram dados fracos de vendas no varejo e analisaram o novo plano do governo federal para apoiar empresas afetadas pelas tarifas de exportação impostas pelos Estados Unidos.

Fonte: InfoMoney

O volume financeiro na sessão foi de R$ 16,7 bilhões, considerado moderado. O desempenho negativo do mercado brasileiro contrastou com o otimismo em Wall Street, onde os principais índices fecharam em alta, mostrando um descolamento do humor do investidor local em relação ao cenário externo no dia. A queda foi generalizada, com as ações de maior peso no índice, as chamadas "blue chips", também contribuindo para o resultado negativo.

Fatores técnicos e blue chips pressionam o índice

A queda do Ibovespa nesta quarta-feira foi, em parte, um movimento técnico de ajuste de posições, comum após um dia de ganhos expressivos como o da véspera. Esse movimento de realização de lucros foi amplificado pela data de vencimento de opções sobre o índice, um evento que tradicionalmente aumenta a volatilidade do mercado, já que grandes investidores precisam ajustar ou zerar suas posições em derivativos.

Além dos fatores técnicos, a alta na curva de juros futuros, especialmente nos vencimentos mais longos, foi um importante ponto de pressão. Juros mais altos no futuro aumentam o custo de capital para as empresas e tornam a renda fixa mais atraente em comparação com a renda variável. Isso tende a prejudicar o desempenho de ações de setores mais dependentes de crédito e do ciclo econômico doméstico, como varejo, construção civil e tecnologia.

As ações de maior peso no índice também tiveram um dia negativo. Os papéis preferenciais da Petrobras fecharam em baixa de 0,75%, enquanto as ações ordinárias da Vale cederam 0,38%. A exceção entre os grandes nomes foi o Banco do Brasil, cujas ações subiram 0,21%, em um movimento de expectativa antes da divulgação do balanço da instituição financeira.

Fonte: InfoMoney

Varejo apresenta forte desaceleração em junho

Um dos principais catalisadores para o pessimismo com a economia doméstica veio dos dados do varejo. As vendas em junho, apuradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), caíram 0,1% em relação a maio, marcando o terceiro mês consecutivo de retração.

O número frustrou as expectativas de analistas consultados pela agência Reuters, que projetavam um avanço de 0,7%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas registraram uma alta de apenas 0,3%, também decepcionando a projeção do mercado, que era de um crescimento de 2,4%.

A fraqueza foi disseminada entre diferentes segmentos. Das oito atividades pesquisadas pelo IBGE, cinco apresentaram perdas em junho. As quedas mais expressivas ocorreram em setores sensíveis ao crédito, como equipamentos de escritório e informática (-2,7%), e móveis e eletrodomésticos (-1,2%).

O sinal de alerta se torna ainda mais forte ao se analisar o comércio varejista ampliado, que inclui atividades de alto valor como veículos, motos e material de construção. Nesse indicador, o volume de vendas caiu 2,5% em junho, uma queda muito mais acentuada que a do varejo restrito, indicando que os consumidores estão adiando compras de maior valor.

Análise do mercado e reação do setor de consumo

A principal causa para a fraqueza do varejo é o impacto do aperto monetário. Com a taxa básica de juros, a Selic, em 15%, o acesso ao crédito se torna mais caro, o que desestimula o consumo. A reação do mercado de ações a esses dados foi imediata.

As ações de empresas de varejo e consumo registraram algumas das maiores perdas do dia. Os papéis da CVC Brasil (CVCB3) recuavam 12,07%, enquanto os do GPA (PCAR3) caíam 8,91%. Outras quedas relevantes incluíam Lojas Renner (LREN3), com -4,19%, e Magazine Luiza (MGLU3), com -2,85%.

Apesar do cenário, a avaliação de algumas casas, como a Genial Investimentos, é de que o setor segue resiliente e próximo de patamares historicamente elevados. O que ainda sustenta o consumo, segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, é a melhora contínua do mercado de trabalho, com mais ocupação e avanço da massa salarial.

No entanto, Santos adicionou uma camada de complexidade à análise, afirmando que "os efeitos no varejo do tarifaço são esperados. Temos que ver como vão se dar os impactos".

Fonte: Status Invest

Governo responde à tarifa com o plano “Brasil Soberano”

O outro grande tema que esteve no foco dos investidores foi o anúncio do plano "Brasil Soberano" pelo governo federal. A iniciativa, oficializada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca compensar os impactos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Em seu discurso, Lula adotou um tom firme, afirmando que a soberania do país é "intocável" e que o governo buscará ativamente mercados alternativos para suas exportações. "Ao invés de ficar chorando aquilo que nós perdemos, vamos procurar ganhar em outro lugar", declarou.

Fonte: REUTERS/Adriano Machado.

O plano do governo se baseia em diferentes frentes para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros. A principal medida é a ampliação do Reintegra, um programa que devolve às empresas parte dos impostos federais pagos na cadeia de produção de bens exportados.

O benefício, que antes era restrito a micro e pequenas empresas, agora contemplará também médias e grandes companhias. O percentual de devolução para as micro e pequenas empresas foi dobrado, de 3% para 6% do valor exportado, enquanto as demais receberão 3%.

O pacote também inclui a prorrogação por mais um ano do regime de drawback, que suspende impostos sobre insumos importados utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação, e a criação de novas linhas de crédito no valor de R$ 30 bilhões com juros reduzidos via Banco do Brasil e BNDES. Outras ações envolvem a reforma do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e o uso de compras governamentais para apoiar os setores afetados.

O posicionamento político e a estratégia de longo prazo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a medida americana como "inusitada" e "injustificável", apontando que os EUA mantêm um superávit comercial crescente com o Brasil. Ele destacou que o pacote de ajuda é apenas uma primeira resposta e pode ser ampliado conforme a necessidade.

Haddad também ressaltou que, embora as medidas como o Reintegra e o drawback sejam mecanismos temporários, a solução estrutural para a competitividade das exportações brasileiras virá com a reforma tributária aprovada no ano passado, que entrará em vigor a partir de 2027 e promete eliminar a cumulatividade de impostos, barateando os produtos nacionais no mercado internacional.

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